As Expressões do Doar
Assim como a flecha bem lançada procura o alvo, nós todos procuramos o alvo das nossas intenções legitimas. Além de todas as aparências, além de todas as poses, das aquisições pessoais, do sucesso profissional, do prestígio e das capacidades que possuímos, carecemos da valorosa conquista íntima, única que haverá de nos satisfazer em plenitude.Reencarnamos destinados a realizações e enquanto não dispusermos os nossos talentos e faculdades a cargo das realizações que importem à alma, estaremos sempre incompletos.Devemos reconhecer que, viver não é um ato isolado. É uma conexão, com o mundo onde interatuamos e com as pessoas que nos cercam. Precisamos uns dos outros, continuamente, por isso a nossa procura pala caridade, pois intimamente, mesmo no inconsciente, reconhecemos que ela seja a propulsora de sentimentos genuínos que nos permitirão a plenitude que infelizmente não se verifica em outras formas de conquistas humanas, quase sempre aparentes e temporárias.Essas conquistas, quando comparadas as emoções geradas, estacionam no terreno das coisas mundanas, das quais não podemos contabilizar as aquisições ao espírito. Todas as conquistas que aprimoram a alma, “cortam” dela impulsos, vícios, preferências e atitudes egoístas. E qual, se não a maior, que “talhe” tão bem a alma ensinando-a tantos requisitos morais, como a caridade?Porém, o mundo moderno nos dificulta o passo nesse sentido, pois engloba um sem número de exigências, fazendo crescer em nós as pressões e cobranças de toda sorte, dificultando com suas correrias e estresses, o atendimento do tempo próprio a estação das coisas relevantes a alma.E muitos estão envolvidos tanto nessa correria diária, em busca do sucesso e do sustento, que nem se apercebem da rotina tão repetitiva em que vivem, sem atinar para a busca interior, despojando-se dos conceitos da sociedade sobre o que seja felicidade, libertando-se de tanta cobrança para alcança-la, descobrindo-a por outros meios legítimos ao espírito.Há uma outra vertente, que procura avidamente nas religiões e filosofias os mecanismos, de todas as formas, por todos os meios, que lhes possibilite encontrar um elo com o mundo espiritual, na resposta tão aguardada ao vazio existencial que neles se manifesta.De um lado temos os incréus e materialistas declarados, preocupadíssimos com as conquistas do hoje, de outro os religiosos e místicos, tão condicionados a interpretações humanas sobre a divindade, valorizando sempre mais o passado que o futuro do ser, infligindo-se com o peso constante das culpas. No meio deles um número reduzido de almas (se comparadas a esses dois grandes contingentes que vociferam suas certezas) que reconheceram a necessidade de se burilar, de procurar o entendimento consciencial, de retirar o véu que lhes cobre a visão de si mesmos, removendo a roupa que o mundo ajudou a vestir para a caminhada adequada de iluminar o íntimo, distinguindo na ação em favor do semelhante, a paz verdadeira e a felicidade real na importância incorruptível do doar.E não estamos falando da caridade material, sim da caridade moral, muito mais significativa e reveladora para o espírito.Essa caridade autêntica não é outra senão o alvo que comentamos no início, o alvo que o espírito tanto tenta alcançar em cheio. Entre os aprendizados dispostos por ela, do inexperiente e vaidoso intercâmbio inicial com a caridade, até o entendimento das suas múltiplas expressões dilatando os próprios horizontes do ser, há uma grandíssima caminhada para o espírito humano vencer.Poderia dizer que ela, a caridade, vive em nós como uma cobrança íntima, principalmente nos espíritas-cristãos, a cobrança da doação liga-se àquela do campo das realizações próprias. E muitas vezes, também engolfados nessa azáfama do mundo moderno, sentimo-nos asfixiados, sem tempo e sem recursos para doar como gostaríamos e tanto nos cobramos. A esses que assim se sentem, diríamos:As formas de desdobrar o amor são inúmeras e sempre alicerçadas pela verdade do coração, sem qualquer outro interesse que não seja auxiliar e amar. Asseveramos que as maiores doações da alma, a genuína caridade, vem das coisas mais simples que sugestionam o espírito a crescer. Quando você descobre que tudo que precisa realmente para doar está dentro de você, deixa de buscar impacientemente por algo material para ser dado e passa a doar de si mesmo. Só então você entende a importância do seu tempo doado ao outro. A importância da atenção. Do Afeto. A doação de uma orientação salutar. De um esclarecimento importante na hora necessitada de uma explicação mais paciente. Entende a gravidade de um carinho na hora oportuna. Do respeito e da aceitação. Do não julgamento. Da postura de paz onde haja discórdias. Da palavra que confere o renovar dos ânimos ao abatido. Do olhar de aprovação a quem precisa do impulso do reconhecimento. Da inestimável compreensão dos erros alheios.Enfim, todas elas e muitas outras, formas de doação, de caridade, que não podemos colocar preço monetário, nem embrulhar em papel de embalagem, nem dimensionarmos em valores meramente humanos, todas elas presentes verdadeiros, ações de bondade que nada custam e conferem a seus doadores reconhecimento entre as expressões legítimas da fraternidade, nos ligando, ainda da Terra, aos elos do amor divino e inesgotável desse Bondoso Pai.Alfredo Dantas
Mensagem recebida na reunião mediúnica dos trabalhadores
da FEIS na terça, dia 21 de julho de 2015
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