sábado, 2 de maio de 2015

A BOA DÚVIDA


A Boa Dúvida

No envoltório físico somos constantemente envolvidos pelas carências orgânicas, que como toda máquina que desempenha um trabalho contínuo, deve ter boa manutenção e cuidados.
Da mesmíssima forma que cuidamos da saúde física, medicando-nos quando as enfermidades aparecem, devemos prestar os devidos atendimentos a área psíquica, pois se ela adoece, adoecerá sucessivamente a mente, o espírito e também o corpo.
É extraordinário o número de influências que cercam as pessoas sem que elas percebam. Criaturas sensitivas, em maior grau, tendem a somatizar certas percepções e emoções, a conta de ficarem de posse delas por mais tempo, sem dar-se conta da imperiosa necessidade da ciência do controle emocional, da educação e da dissipação do pensamento.
Nesse quesito a dúvida apresenta-se como boa, grande colaboradora dos processos de dispersão, de análise e limpeza do psiquismo.
A dúvida? Questionariam alguns.
Sim, responderíamos afirmativo.
Tudo o que você crê, o controla. E tudo que o controlar demasiadamente, o perturbará.  Duvide de tudo em que você crê e que o perturbe.
A nossa mente pode ser sugestionada de dois modos,

negativa e positivamente.

Quando é sugestionada negativamente, a pessoa viverá num processo conflituoso, insidioso, sempre se queixando da vida, de tudo e de todos.
Algo as vezes de difícil desembaraço.
A dúvida de que falamos, nesse caso, é o duvidar do negativo, a dúvida que desempenha um papel importante de filtragem e seleção para o psiquismo. Devemos estar conscientes dos processos analíticos pelos quais devemos ser conduzidos, pois a fé se funda na convicção e a razão na dúvida, sem que se contradigam. Porquanto a fé cega é aquela que não duvida de nada. A fé raciocinada não é uma fé que raciocina a todo instante para que exista, é sim, uma fé que já raciocinou antes, já duvidou para se estabelecer na razão.
Devemos igualmente duvidar de certos sentimentos negativos que afloram em nós. A dúvida trabalharia de forma profilática, como certos remédios que previnem que certas viroses se instalem e criem patologias mais sérias e de difícil assédio.
Pense um pouco sobre a possibilidade de melhor controlar seus pensamentos e portanto ter maior domínio sobre eles. Comece hoje mesmo a duvidar de certas agonias mentais que lhe incomodam, certas ansiedades que nascem sem razão aparente, certas amarguras e tristezas que aparecem do nada. Será que esses sentimentos pertencem-lhe de verdade? Duvide que você não consiga superar seus conflitos, essas provocações, duvide das suas dificuldades. Duvide das mentiras projetadas por seus pensamentos negativos. Duvide!
Por exemplo, um dos sentimentos agravantes da mente é a insegurança. Pois bem, ela deve ser duvidada, ela deve ser rejeitada. Não que ela não exista, mas na condição de que ela não nos congele as iniciativas, de que ela não deve ser “senhora” do nosso íntimo. Devemos questioná-la, entendendo que dentro das nossas imperfeiçoes, certos tipos de insegurança são normais, todos possuem, mas os que as vencem, são aqueles que duvidam que “ela” os possa dominar.
Devemos ser livres para sentir, mas não prisioneiros dos sentimentos. Devemos submeter a emoção ao controle íntimo, ao governo da sabedoria, nunca aceitando pensamentos que queiram nos desestabilizar, nos fazer pensar de forma negativa a vida. Devemos entender que muito do que nos surge decorre de influências perniciosas e dos nossos próprios defeitos. Devemos querer nos melhorar, querer nos dominar. Devemos dar um choque de lucidez e perspicácia nos nossos medos, nas nossas tristezas, angústias, impulsividade e negatividade.
Somos feitos à imagem do criador, portanto, devemos vibrar nessa representação elevada, positiva, de que somos capazes de grandes feitos, de gestos mais nobres, vencendo nossas inseguranças quando quisermos e acreditarmos ser possível.
Certos sentimentos têm feito muito mal as criaturas, que não se dão conta dos inúmeros prejuízos que eles trazem as suas personalidades. A ansiedade tem sequestrado a paz e o equilíbrio de milhares. Uma alteração originada nomeadamente na mente, que deve ser duvidada. Devemos crer sim na tranquilidade de que somos capazes de alcançar em qualquer situação, devemos crer na serenidade, na nossa calma para superar qualquer emoção que gere o sofrimento psíquico.
O ser humano deveria reconhecer que as adversidades e problemáticas da vida lhes patrocinam lições que amadurecem o espírito, e elas não cessam, são normais e continuadas. Esse estado de entendimento, por si só, deve serenar a criatura, fazendo-a aceder as faixas da harmonização e estabilidade emocional.
Duvidar de sentimentos aflitivos e negativos é nosso dever, pois se, ao nosso redor ocorrem constantemente coisas positivas e que merecem ser valorizadas e comentadas, por que então tendemos a nos agarrar às negativas e até amplificá-las através da consideração que a elas reservamos?
Por que então não duvidar de que certos sentimentos não merecem tanta valorização, principalmente se eles forem declinantes? Por que não duvidar de projeções que estacionem em faixas rasteiras e nos prendem a processos paralisantes?
Entendemos assim que a depressão seja um desses processos paralisadores, uma prostração da alma, que deve fortemente questioná-la, duvidando das suas demandas que fazem tombar, declinar e recusar a alegria do viver.  
Estamos no mundo para reconhecermos a nossa excelência, sem jactância alguma, para entendermos os recursos maravilhosos que temos ao nosso alcance, percebendo qual nossa tarefa, nossos inúmeros talentos e faculdades que permitem desempenharmos o papel de filhos de Deus.
A depressão seria assim um grande conflito interno, a grande dúvida do ser humano em relação a vida que leva, o momento quando o íntimo resolve questionar muitas coisas e a mente afixa-se no lado negativo delas, já que o homem é um ser negativo por natureza, entregando-se aos ciclos depreciativos que abatem a psique.
Tristeza e depressão são na verdade um desentender da proposta da existência. As que nascem de alguma perda e por processos de crises, são entendidas como momentâneas, mas aquelas que persistem por anos, décadas, são na verdade um estado psicossomático da mente sendo conduzida na contramão da vida, mesmo respeitando os processos hormonais e hereditários, aqueles que produzem faltas consideradas no quimismo cerebral, a mente positiva e bem trabalhada será sempre libertadora de qualquer cadeia que queira encarcerar os indivíduos.
Determine ser seguro de si, ter seu psiquismo forte, alegre, para não ser escravo dos seus conflitos, dos remédios psicoativos. Primeiro duvide, depois determine-se a agir com positividade. Determine você o que quer pensar e sentir, não deixe as emoções lhe controlar, volte a sua atenção para longe dos pensamentos doentios e concentre-se em construir seu íntimo e não arrasá-lo.
Se faz importantíssimo vibrar no diapasão da saúde, da alegria, do equilíbrio e do amor psicofisicoemocional, para que nos libertemos o quanto antes desses processos castradores e ilusórios que declinam as nossas potencialidades. Devemos sim, fortalecer as nossas crenças no que vitaliza e educa positivamente a nossa mente, podendo o Espiritismo nos ajudar bastante a entender o que se passa genuinamente dentro de nós.

Muita fé, disposição e saúde mental.                


Alfredo Dantas
Mensagem recebida na reunião mediúnica dos trabalhadores da FEIS no dia 24 de abril de 2015, pelo médium Jorge Antônio