quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PÉS DESCALÇOS



Pés descalços


Começava um novo ano. Caminhava sozinho na areia da praia deserta, mantinha um diálogo confuso consigo mesmo. Era envolvido por inumeráveis questões que lhe desafiavam a mente.

De repente, sentindo a necessidade de parar, respirou profundamente a brisa do oceano. Aquietou-se e olhando de dentro para a natureza percebeu que as ansiedades o afogavam num mar de sentimentos desencontrados.
Sentou-se na areia e sentiu a água do mar molhar seus pés descalços. Serenando, deixou que o silêncio tomasse conta por instantes. Logo reiniciando o diálogo íntimo interminável. De repente, porém, sentiu algo diferente... Era como se conversasse com alguém, alguém que emanava paz e saber.
E como se perguntasse a si mesmo para obter respostas que ainda não compreendia, disse:
-  Que dor é essa que sinto mas não consigo identificar? E a voz que vinha de dentro da sua mente respondia indulgente...
-   É a dor da insatisfação que asfixia os humanos. Eles estão concentrados no ter, no querer e experimentam a tremenda pressão das suas necessidades não satisfeitas.
-  Mas acho tão difícil viver nessa sociedade...
-  Difícil seria não viver, não ter vida! ...Diria que viver sem se enganar, sem se iludir. Isso é que é difícil.
-  Mas me sinto abatido, como se as minhas forças estivessem  acabando, indo embora!
-  Seu problema e o da grande maioria, é o apego a negatividade.
Não podemos negar que, no fim das contas, essa idéia da mentalidade totalmente sadia e positiva é inadequada para esse planeta. As influências são muitas para que isso aconteça. Os espíritos que os cercam, com superioridade em número, estabelecem alcance e controlam sentimentos e pensamentos. Inegável isso! Contudo, de certa forma, isso explica uma porção genuína da realidade desse globo. De que falta as pessoas certa consciência do todo. Que elas devem ficar mais alertas para não considerar uma coisa falsa como real, vivendo nas somas das muitas ilusões.
-  Mas não é fácil isso! Como você diz, as influencias são muitas...
-  Não! Não é fácil! Também não é difícil! É dificílimo! Mas é um exercício capital. Possivelmente a única maneira para abrir a mente para os níveis mais profundos da verdade.
-  Porque você diz “possivelmente”? não tem certeza disso?  
-  Esse é exatamente o problema do ser humano, ele quer saber tudo na sua totalidade, ter certeza de tudo. Quando digo possivelmente, estou lhe dizendo “de um modo possível”, mas o mundo, o seu mundo, é cheio de opções.
-   Entendo...
-  Em outras palavras, estar alerta é identificar as coisas que o cercam e defini-las para você. Não importa o que elas representam para os outros, mas o que elas significam para você. As pessoas se imitam tanto que nem percebem quando perdem a própria identidade. Você tem que avaliar se para seu “eu” uma coisa é boa, mau ou indiferente. Não é identificar o que você quer, pois isso às vezes é mero capricho do ego, mas identificar se é bom, mau ou indiferente para o seu espírito. 
-  Como assim?
-  Se você faz essas observações tem mais poder e controle sobre si mesmo. O observador, aquele que define as coisas, tem mais controle sobre aquele que o tenta influenciar. O influenciador obtém mais controle quando o observador deixa se entusiasmar, ou, teima em se manter na ausência de conhecimento. Aí é pior, pois o observador é manipulado e não quer nem saber disso.
-  Muito complexo...
-  E você acha que essas manipulações são apenas um conjunto de coisas sem nexo? Tem tantas coisas ligadas a elas num nexo comum, que as fazem complicadas, mas na verdade o observador é mais real e detém maior controle das coisas. Ele que ajuíza. Por isso é tão imprescindível a conscientização das pessoas para uma mudança das energias.
-  Ainda vagando...
-  Tudo bem. O vício que você tem é bom, mau ou indiferente ao seu espírito?
-  Mau, tem me prejudicado!
-  Então combata-o! Tente evitá-lo. Esteja alerta para o identificar e ir coibindo-o.
-  Não é fácil!
- De novo - Não é fácil! Também não é difícil! É dificílimo! Mas é um exercício de capital importância para libertar seu EU! Ou faz ou vive no prejuízo das emoções!
-  Verdade!
-  Mentir é bom, mau ou indiferente ao seu espírito?
-  Mas minhas mentiras são tão ingênuas...
-  Não foi essa a pergunta, nem lhe acusei de nada. Mas vou reformulá-la. É melhor ser real ou fingir alguma coisa?
-  Acho que ser real deve ser melhor, deve ser “bom” para o meu espírito.
-  Então tente! Fique alerta! Pois tudo que é dissimulado abandona a realidade e cria outra, que é falsa.
-  Mas tem coisas que tentamos ardentemente ocultar. Até para nos defender. Não?
-  Seja apenas você! A energia que se gasta para criar uma imagem apresentada agride de certa forma o espírito. Qualquer mentira que você adote na ilusão de se proteger do mundo, deve ser confrontada, exatamente por não ser real, por ser ilusão.
-  É... tenho lutado contra meus defeitos, contra as minhas fraquezas, mas não é simples abandoná-los.
-  Você se questiona sobre eles. Que bom, isso indica que não está satisfeito. Não se pode é ficar nos questionamentos sem querer agir, sem querer mudar, como uma criança birrenta. Olha aí o que a vida tá te dizendo. Ela sempre fala ao nosso ouvido. Basta escutar. Quando exercita a consciência plena sobre suas maneiras e seus pensamentos, com um tempo nesse exercício você progride. Você se experimenta de uma nova maneira, em lugar de aceitar as coisas que vêm de dentro passivamente e agir tantas vezes de forma repetida e automatizada, você detém controle sobre elas, obtém percepção do motivo pelo qual se comportava de certa forma e com isso entende melhor também as outras pessoas e suas fragilidades. Essa compreensão torna-o livre, te dá forças e mais objetividade na vida. Em outras palavras, você desperta.
-  Vou tentar atingir isso. Todavia a gente se esquece.
-  Não tente, faça apenas. Abandone o ciclo autoperpetuador. Você não tem que gastar muita energia com isso, despender muito esforço. Apenas fique alerta! Se deixou passar algo, tudo bem, mas volte o mais breve ao estado de vigilância dos seus sentidos. Você nem precisa entrar num estado deliberado de meditação sobre isso. Por si mesmos, seus sentimentos, atitudes e pensamentos positivos criarão mais sentimentos, atitudes e pensamentos positivos. O mesmo se dará em situações negativas, o princípio da perpetuação é igual.
-  É uma luta viu!
-  Perceba que só há luta quando há oposições.
-  Verdade.
-  Do lado de cá percebemos facilmente quantos papéis o ser humano vive numa existência.
-  O processo de mudança é inevitável eu sei. Aquela coisa de ou vai “pelo amor ou pela dor”.
-  Fatalmente. Mas o processo de mudança acontece diferente para cada um de nós, sempre em níveis. Emocional e psíquico. Vamos aprendendo a nos tornarmos um tipo diferente do que somos hoje, melhor e mais conscientes, claro. No lado emocional, temos que abandonar nossos medos, comportamentos derrotistas, crenças tolas, ilusões, atitudes erradas. Temos que parar de nos sabotar. Mas a verdadeira mudança ocorre mesmo no nível psíquico, naquele relativo ao espírito, junto as suas faculdades morais e intelectuais. Ela motiva, quando consciente, uma mudança radical de identidade além da personalidade humana,  pois atua na alma.
-  Porque então tantas pessoas combatem o Espiritismo? Porque enfrento tanta oposição dentro da minha família?
-  Combatem as vezes o que desconhecem em profundidade. Apenas acompanham, sem sentir, uma corrente qualquer. Também certas crenças levam alguns ao fanatismo de ideal. Outros o combatem por apego a realidade que criaram para si, por ignorância. Mas, inevitavelmente o despertar do lado espiritual chegará para cada um.
-  Penso que já estou buscando o meu!
-  Lembre! Uma busca completa leva tempo!
Tinha sido um bom diálogo. Agora ele se afastava, de pés descalços, cheio de interpretações e vontades, agradecido aos influxos que vieram não sabia de onde, não sabia por quem.
É um prazer enorme, quando o espírito por quem temos afeição e cuidados, decide ouvir a comunicação de dentro. Percebi em mim mesmo que esse era realmente um novo ano que iniciava, um ano de mudanças, não só para ele, mas para muitos que como ele desejam a luz. Senti que as coisas caminhavam para transformações. Serão anos difíceis talvez, esses que nos aguardam, mas preciosos de aprendizado. Alguns serão marcados pelo despertar, mesmo que pela dor, mas essa humanidade têm que enfrentar essa “dor comunitária” para reduzir o orgulho e o egoísmo que ainda prevalece nela. É tempo de mudanças, de gentileza,  e, de esperanças.
Ainda na praia, me perdi na exuberância da natureza. Percebi num instante que estava tudo ali, tão fácil, tão informal. Alegria desmedida, abundância e respostas no silêncio da calma que o oceano ajuda a embalar com suas ondas, como se ninasse todas as ansiedades humanas e fizesse dormir o homem, essa criança mimada. Mas necessitei morrer o corpo e estar espírito para perceber a simplicidade do viver.
Restou-me olhar a vastidão do céu azul que emoldura formosamente essa Bahia e agradecer ao Bom Deus as oportunidades que temos tido para crescer e reexperimentar os mesmos erros, decidindo por nós mesmos se queremos continuar com eles, se são para nós bons, maus, ou, indiferentes.       
 
Simão

Mensagem recebida no dia 13 de janeiro de 2015, pelo médium Jorge Antônio.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O TESOURO



O Tesouro

Abelardo mandara cavar grande buraco no jardim da sua casa, onde todos já aguardavam impacientes a piscina, que seria a felicidade dos filhos pequenos.
Enquanto a máquina revolvia a terra com grande barulho, nosso irmão notou algo brilhante. Como o tratorista se afastava com a pá cheia de terra, desceu no declive sujando os sapatos, para descobrir que tratava-se de um baú soterrado. Era daqueles de madeira, ornado com artefatos de prata, que reluzia uma lingueta de chave antiga.
Rápido, para que nenhum operário visse o tesouro que ocultava nos braços, levou o baú para os fundos, direto à garagem.
Sua mente então desdobrou-se em imaginações. Que continha aquela caixa maravilhosa? Talvez uma fortuna em ouro escondida pelo antigo dono da propriedade. Ou quem sabe, moedas raras. Algum mapa indicando alguma riqueza maior... Seus olhos brilhavam.
A caixa por si só já deveria valer um bom dinheiro no antiquário. Era de madeira de lei, pesada, maciça, bem desenhada nos arabescos que lhe decoravam inteira. Como fivelas, eram passadas a sua volta dois traços de prata, com a fechadura no meio saltando para fora. Era um capricho.
Absorto, parecia uma criança quando recebe novo brinquedo. Ansioso por descobrir os segredos que continha o baú, forçou a fechadura sem sucesso. Estava trancada e bem trancada.
Excelente artesão deveria ter confeccionado a pequena arca. Soube reconhecer de imediato o talento do artista que tinha moldado aquela Jóia.
Cauteloso, munido das ferramentas certas e com uma flanela felpuda para não ferir a madeira, foi forçando devagar a tranca. Pouco em pouco esta foi cedendo a força do malho e finalmente abriu.
Para sua surpresa a caixa continha um livro, como que embalado para presente. Desapontado, rasgou o papel finamente decorado e descobriu em sua mãos “O Livro dos Espíritos”. Junto a ele veio um bilhete que lia assim:
“Fui Livreiro e toda minha vida dediquei aos livros. Sustentei a família, eduquei os filhos e netos com a venda de livros.
Esse foi o exemplar mais raro que me chegou as mãos. Sua leitura fez mudanças incríveis e maravilhosas em minha vida e na vida da minha família. É indiscutivelmente um grande e meu único tesouro!
Escondo-o assim na terra e rogo aos Bons Anjos que, algum homem de sorte grande, encontre esse tesouro um dia, pois eu, podia tê-lo presenteado a alguém, mas não o quis fazê-lo, já que, poderia escolher alguém que não o merecesse de verdade. Assim, prefiro acreditar no destino. Não no acaso! Que afortunada pessoa, que dele muito precisa, haverá de achá-lo. E ele, o livro, haverá de transformar a sua vida, como a minha transformou. Trazendo-o a maior riqueza que um homem pode desejar, ...o esclarecimento!”
Abelardo, de início desapontado, depois de lido o bilhete, ria-se satisfeito.
Mandou então limpar a caixa, lustrar o prateado dela e colocou-a bem a vista, no móvel da sala, aberta, com o raro livro dentro.
E não é que o Livreiro tinha razão!
Com o passar dos anos aquele livro tornou-se grande tesouro para toda família, que lendo-o, mesmo que por pedaços, vieram a conhecer a Doutrina dos Espíritos e amá-la, modificando às suas vidas, colocando luz e entendimento nas suas consciências.
Positivamente Abelardo encontrara um verdadeiro tesouro, pois que, a riqueza que o livro lhe trouxe, levou com ele para a outra vida. Coisa que nem o ouro nem a prata admitiriam. E lá chegando, teve a satisfação de conhecer e poder agradecer em pessoa, o gesto singelo, criativo e caridoso do bondoso Livreiro, manifestando por ele grande admiração e amizade.   


Antônio Augusto
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 10 de fevereiro de 2015 pelo médium Jorge Antônio

VISITE O BLOG

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

TRABALHO SILENCIOSO



Trabalho silencioso

Como verdadeiros cristãos, carecemos seguir as exortações do Evangelho, consolidados na fé da imortalidade da alma, devemos crescer junto as provas do comportamento, exemplificando genuinamente a nossa crença nas diretrizes do Cristo.
Labutamos juntos, ombreando diversas tarefas como distintas individualidades na mesma arena de exercícios e provas.
Certamente encontraremos personalidades difíceis pelo caminho, quando a bem da verdade, não formos nós àqueles que acarretaremos certas dificuldades, impondo nossos transtornos aos que convivem conosco?
É nosso dever incansável apresentar tolerância às limitações alheias, já que, os companheiros têm notadamente que suportar as nossas tantas deficiências.
Jamais assumirmos posição de juiz frente à prova de outrem. Muitas vezes a dor aparece como grande contributo das transformações perenes do espírito.
Julgam a dor na Terra como grande rival e inimiga da felicidade, essa é a observação de quem vê pela superfície, daqueles que não possuem a presciência na profundidade das questões libertadoras da dor.
Preocupemo-nos não em aquilatar a dor vizinha, mas de não ser o elemento causador da dor alheia, pois quem verdadeiramente sofre, não é aquele que vive o quadro real da dor, sofre legitimamente aquele que causa o sofrimento aos semelhantes.
No campo das tarefas cristãs, devemos apreender a trabalhar sem estardalhaço, sem notoriedade, trabalhar em silêncio, sem escolher tarefas de relevo que nos destaque.
Cuidemos do íntimo primeiramente, vigiando a postura interna para não assumirmos qualquer papel de importância a que tantos ludibriaram à jactância pessoal.
Insinua-se discretamente no seio dos trabalhadores do Cristo, essa falsa importância que as vozes ocultas teimam em repetir aos corações humanos, iludindo-os pelas vaidades pessoais.
Falsos servos da humildade fazem-se modestos, para ir galgando as posições de destaque que tanto anseiam nos seus desideratos de equívoco.
Mesmo sem sentir, querem sempre a voz de comando, querem estar no centro das atenções, politicamente envolvidos para sentirem-se engrandecidos pelas opiniões alheias.
Promovem os outros intentando granjear admiração em retorno, bajulam as pessoas certas aos seus objetivos de parecerem sempre mais do que realmente são no campo da verdade.
Arvoram-se projetando fantasiosas faculdades a própria personalidade para que o séqüito de admiradores cresça, contudo não percebem que estão dominados pela ânsia terrena de destaque.
O verdadeiro cristão não é aquele que quer se mostrar sempre favorecido pela razão. O verdadeiro cristão é aquele que sabe calar a própria razão, para não ferir o outro que não a possui.
O verdadeiro cristão não divulga os próprios feitos e seu trabalho se apresenta humilde, silencioso, mas com dedicação e repetitividade responsável.
Quando há alguma vertente da tarefa que não apreende, não hasteia bandeiras em terrenos desconhecidos, fazendo-se senhor daquilo que lhe é incógnita, verbalizando a esmo avaliações precipitadas. Procura ajuda e conselho.
Quando o serviço complicado aparece, encontramos os mais diversos comportamentos:
Encontramos os que têm o olho clínico para perceber falhas, apontar erros e criticar os defeitos, contudo não se entregam a disposição para colocar em prática às perfectibilidades que propagandam.
Há os que sempre apresentam falta de tempo, envolvidos com todo tipo de atribulações humanas, jamais podendo doar-se verdadeiramente a causa.
Outros não aderem ao convite, visto que a tarefa lhes parece bastante insignificante diante da própria estatura projetada.
Os ociosos e gozadores da vida se negam porque jamais podem abandonar a posição resfolgante que assumiram.
Logo, o serviço será exercido por aqueles que não recuam, mesmo ante as próprias imperfeições, mesmo atarefados, ocupadíssimos, sabem que não podem deixar as Tarefas de Jesus entregues a sorte, destarte abraçam-nas com zelo e carinho.
É assim que em silêncio, cumprem o dever que muitos renegaram, outros criticaram, alguns desprezaram, mas que verdadeiros voluntários não se apresentaram.
É triste observarmos que as salas mediúnicas estão cheias de trabalhadores superficiais, desse teor de impassibilidade, concerne à obviedade do vínculo semanal, não se apresentam como voluntários para nenhuma outra tarefa.
Deste modo, o verdadeiro trabalhador, antes de ser aquele que fala, mais do que aquele que manda, ou do que aquele que mostra, é aquele que faz.
É o voluntarioso que obra silenciosamente, desincumbindo-se da tarefa com amor, com dedicação, uma vez que, vê em qualquer serviço do bem, por mais minúsculo que lhe pareça, a observância da necessidade imprescindível daquela ocupação na elucidação e socorro das almas.
Infelizmente continuam a ser muitos os pastores, poucos os trabalhadores.

            
Alberto Fonseca
Mensagem psicografada na reunião mediúnica dos trabalhadores da FEIS

Fraternidade Espírita Irmã Scheilla em 01/07/2011 pelo médium Jorge Antônio


TRATADO DE PAZ



Tratado de Paz

Um dia quando olharmos para trás, haveremos de reconhecer que as dificuldades foram degraus nos permitindo subir.
Reconheceremos ante as religiões, apesar de grande a sua contribuição para abater o homem bruto, que Nosso Criador nunca fez divisões de crenças, nem jamais exigiu que a transformação da criatura fosse imediata através da fé elegida, devendo ela, antes de tudo, viver todas as provas destinadas a lhe moldar o espírito aos entendimentos do Cosmo.
A pressa sempre foi do homem, jamais de Deus!
Pois tudo já está escrito e planejado, o futuro não é irreconhecível, pelo contrario, se encaixa perfeitamente nos Planos Divinos.
No fim, tudo será conforme deveria ser!

A verdade triunfará no mundo.
O amor será a qualidade mais exaltada entre todas as virtudes humanas.
A luz enfim abaterá as trevas.
O engano será esclarecido.
As dores haverão cumprido sua tarefa educativa, transformando-se em asas, sustentando o vôo do espírito ao infinito.
Àquele que prejudica, descobrir-se-á o grande prejudicado.
O ódio será um raro veneno, inaceitável e ancestral sentimento.
A fraternidade será o idioma das nações.
A inveja cairá em desuso.
A mediunidade participará do dialogo franco entre as mentes.
O perdão será a resposta a todas as questões que atormentam os homens.
A vaidade, uma imundice abatida das almas.
A justiça será feita.
A paz será a riqueza dos povos.
A caridade oferta natural dos corações.

Certamente tudo isso ocorrerá na Terra assim que o Evangelho de Jesus for registrado no íntimo de cada ser, reconhecendo-o como estatuto máximo da felicidade e bem-aventuranças.  


Alberto Fonseca
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 10 de fevereiro de 2015 pelo médium Jorge Antônio

VISITE O BLOG

FUTUROS TALENTOS


Futuros Talentos

Repousa em cada um de nós infinitas possibilidades de auxiliar, projetar mudanças na sociedade e disseminar o progresso.
Todos nós possuímos talentos adormecidos que necessitam vir à tona. Quando despertos revelarão a essência do ser espiritual.
Há nos escaninhos do coração, obstaculizado por um sem número de quinquilharias que impedem a livre manifestação do eu verdadeiro, forças dormentes que haverão de ser descobertas assim que se consiga o desvencilhar das ansiedades, das paixões pueris, do orgulho infantil, do ego doentio que ainda comandam e embaraçam o ser. 
Quando a razão assumir o comando, a consciência se fizer ouvir diuturnamente e o coração admitir o controle das obras humanas, o tempo será melhor aproveitado no concurso da própria espiritualização do eu, algo assaz perseguido pelas pessoas atualmente.
Um dia, já despido das futilidades que carregávamos como artifício opressor, veremos o mundo carnal por outra ótica, profundamente conscientes das coisas essenciais e necessárias ao enriquecimento da alma.
As frustrações serão menores, não haverá mais tempo para guardarmos mágoas ou impregnarmo-nos com qualquer tipo de odiosidade. Nascerá assim a estação do perdão legítimo em nós. Com ela a valoração do semelhante, o esforço contínuo e intimorato em prol do outro, a vontade de ajudar denegando o próprio eu de qualquer tipo de vanglória individual.
Serão os dias do olhar reto, das máscaras desnudas, da inteireza de propostas, dos ideais grandiloquentes, da fé legítima e inabalável. Serão dias de promover e não julgar, dias de entender e tolerar.
Porque quando a humildade genuína assumir total controle, o abrir a boca significará depositar esperanças e luz nos corações, modestamente trazendo a mesa propostas que façam crescer e elevem os espíritos suportados pelo desejo de redimir.               
 Só assim os talentos poderão luzir, atestando ao mundo que somos legítimos representantes e operários devotados do Amor. Sem mais lutas pelo poder ou pela glória.
Nesses dias conscientes, onde buscamos os verdadeiros talentos que repousam em nós, as tempestades serão enfrentadas com raízes fincadas na certeza do triunfo da verdade, sem medos. Aprisionados nas celas do mundo, cantaremos as vozes argênteas louvando todo sacrifício de ser útil. Impedidos de falar contribuiremos com a opulência da prece silenciosa, libertando todos obsessores com o alento que enflora delas. Com os pés atados, alcançaremos distâncias ainda maiores através dos desdobramentos contínuos que processaremos através da fraternidade que motiva os nossos espíritos. Ultrajados, caluniados, mil vezes atacados não desfaleceremos nem deixaremos turvar os nossos pensamentos, sabendo que cada perseguidor é um instrumento exponencial para o nosso crescimento e testemunho genuíno de acordo com o amor que desejamos instale-se perene em nossas vidas.
E diante da morte, na presença do momento derradeiro do corpo, sentiremos a gratitude do dever cumprido compreendendo termos feito o que nos cabia.
Assim será e se repetirá com todos aqueles que entregarão suas vidas ao Cristo, pois um dia será necessário despir-se de tudo mais na busca dos verdadeiros talentos, utilizando-os providencialmente e unicamente no favorecimento do progresso espiritual das criaturas.

Anastácia

Mensagem recebida na FEIS na mediúnica do dia 04 de abril de 2013, pelo médium Jorge Antônio 


DAMA DA ILUSÃO



Dama da ilusão


Trafegava pelas estradas do mundo arrebatando adoradores, acumulando mais e mais admiradores ao seu exercito de conduzidos.
Delegava ordens que eram prontamente atendidas. Plateias inteiras seguiam-na.
É verdade que possuía alguns adversários indiferentes as suas investidas, contrastando com as milhares de almas rendidas ao seu fascínio.
Questionada acerca da sua dominância e alcance na sociedade, respondeu com altivez:
       -        Sou a senhora das intenções encobertas. Sou o próprio espelho da humanidade. Sou eu que motivo os artistas diante dos picadeiros da vida! Sou a verdadeira medalha que o esportista busca. Nas noites de opulência, a vestimenta glamorosa que cobre as peles excitantes. Sou as joias mais caras que adornam os pulsos, os dedos e os colos daquelas que anseiam pelos olhares da inveja e da cobiça.
Sou também a real motivação dos oradores insuflados, que sobem as tribunas replenos da minha garantia.  
Sou a juventude briosa que acredita nunca envelhecer, que caminha gloriosa pelos corredores das devassidões. 
Sou a veneração do corpo, que endeusado serve a minha proposta de atormentar as mentes.       
Sou a procura desenfreada e doentia pela fama e pela maior audiência. Sou a afetação da luta pelo poder, pelos primeiros lugares à mesa.
Eu quero sempre ser a última voz do diálogo, ininterruptamente acenando para as multidões embevecidas.
Examinada sobre sua opção religiosa, redarguiu:
       -  Amo muito os religiosos volvidos para o próprio “eu”. Esses são meus nomeados. Pastores da fatuidade que adornam suas palavras vazias para parecerem admiráveis. Contemplativos que adoram falar por horas atacando a todos os credos e seitas diferentes da sua. Cristões cheios da verdade, cheios do verbo sem nenhuma ação são os meus serviçais, condicionados ao meu regato, donde saciam sua sede de serem os escolhidos de Deus.

Riu-se galhardamente e foi.

Observamos assim a sua postura ereta, tal qual figura grega, toda ornada e vestida de plumas, condecorada pela altivez do olhar  que divisava arrogante o horizonte infinito. Afastou-se caminhando sobre saltos altíssimos, pisando com firmeza qual soberana sobre a Terra dominada.
Todavia naquele mesmo dia chegou a hora do encontro extremo, cruzou a fronteira da morte adentrando os umbrais do outro mundo despida. Daquele modo, desnuda, sem suas alegorias, suas dissimulações, sua mansarda e suas vestes, aterrou-se.
As máscaras tinham desabado, as sombras envolviam seu rosto encarquilhado. Com trapos sujos e rotos tentava agora cobrir o corpo ulcerado, mendigando clemencia aos céus.
Enganada em suas convicções superficiais, gritava, esperneava e chorava a soluçõs, intentando fugir da veracidade do momento.
O Guardião do portão da Vida perguntou-lhe:
         -    Quem és tu mulher desditosa, alma penada da vastidão humana?
E numa voz rouca e fraca, tão diversa da altiva persona do ontem, respondeu em suspiro de aflição:
       -  Sou Vaidade, a rainha dos homens, a amante duradoura dos mortais tolos e iludidos.
O Anjo Guardião olhando-a com misericórdia, enunciou:
      -  Minha filha, só a humildade pode salvá-la da demência. Trabalha junto a simplicidade e aprende de novo a ser semente.

Poeta Amigo
Mensagem recebida na reunião mediúnica da FEIS no dia 
25 de julho de 2012, pelo médium Jorge Antônio. 



AOS QUE NEGAM A VIDA


Aos que negam a vida


Falar sobre a morte biológica do corpo é tocar em assunto bastante delicado que apavora grande parte dos encarnados.
Conquanto a religião seja a ligação consciente com o Criador, muitas das doutrinas evangélicas negam a continuação da vida pela devida apropriação do espírito na continuidade das suas paixões e conquistas no patrimônio inviolável de cada alma. Assim, negam de forma contundente a reencarnação, o regresso do ser ao mesmo palco onde dantes viveu para remenear a epopéia carnal, tendo nova vestimenta, refazendo uma vez mais os passos na ascensão do progresso espiritual a que cada ser está destinado.
Realmente, isso ainda acontece mesmo quando todas as frentes paranormais indicam a preexistência da consciência inteligente após o decesso da vida física, quando as lições espiritualistas atestam a verdade da Vida Eterna, quando os fatos e ocorrências espirituais testemunham o mundo oculto e até mesmo o Evangelho, quando imparcialmente e sem fanatismos é analisado, traz com Ele bastantes provas da continuidade da criatura como entidade etérea e imortal.
Ainda assim esses fomentadores de ilusão, representantes de Deus a contento das paixões humanizadas, continuam a disseminar os enganos e a diatribes que freiam o avanço consciente da Vida Maior na sociedade.
Todavia com o progresso moral e intelectual chegando aos dias da razão, já não caberá ao tempo de então, certas falsas concepções religiosas, qual a do homem que dormiria depois da vilegiatura carnal esperando em repouso o dia do juízo final.
O céu de angelical sossego infindável e o ranger de dentes do inferno eterno já não ilustram as crenças do homem instruído.
Não percebem os “pastores da verdade” que espalhando erros vertentes de pobreza efetiva, estão a negar o próprio Criador na sua capacidade de amor e enriquecimento dos esforços do ser?
Negar a reencarnação seria o mesmo que aceitar aquele Deus vingativo e sanguinário que o homem primitivo e o da Idade Média carregaram no coração por tantos séculos.
O Espiritismo nasce no seio da sociedade terrena no momento certo, quando é dado o início para que a impostura seja abolida e a verdade se levante gradativamente tomada pela razão, não pela crença, ou pelo sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância do fantasioso.
O Consolador prometido já desfralda a Alvorada de Luz aos espíritos terrícolas. Maviosamente, os Planos Superiores alimentam os dois lados da vida, a física e a espiritual, enriquecendo ambos os mundos com os entendimentos da Vida que não se extingue.
Esses que hoje impedem a conscientização em massa das verdades espirituais muito se arrependerão e sofrerão remorso profundo por terem freado o desenvolvimento alheio, seja pelos seus interesses mesquinhos, seja mesmo pelo seu engano ou fanatismo cego.
Não obstante, dias novos estão a se promover, quando a própria humanidade marchará à procura dos esclarecimentos espirituais, avidamente buscando o Espiritismo para lhe tranqüilizar as angustias e lhe clarear os pensamentos sombrios.
Aos que o seguem como Doutrina de vida, cabem honrar o Espiritismo através da conduta proba, sem serem estorvos aos divulgadores dessa verdade, auxiliando-os na divulgação da vida após a morte, abraçados a essa certeza íntima, ligados as Leis de Deus, dando provas de que são discípulos do amor e fomentadores da fraternidade mundial.

Muita paz a todos.
     

Anastácia
Mensagem recebida na reunião mediúnica da
Fraternidade Espírita Irmã Scheilla, na quinta-feira em 28/04/2011, pelo médium Jorge Antônio

O TEMPO


O Tempo


O tempo é um patrimônio valioso. Conquanto a criatura tenha todo o tempo a sua disposição na eternidade da existência, a sua boa administração livrará o espirito de momentos atrelados a dor do remorso,  dilatando as possibilidades do ser em abreviar seu encontro com a felicidade.
Nesse planeta o tempo é malbaratado, deslembrado da sua importância para a edificação das almas.
Poucos usam-no de forma altruísta, dedicando-o aos semelhantes. Aqueles que assim o fazem, afastam-se pouco a pouco do egoísmo e conquistam o amparo dos Amigos Espirituais, servindo tantas vezes como veículos do bem na modificação das vidas alheias, contribuindo junto a Providencia Divina na manutenção do amor no solo embrutecido da Terra.
Saber colocar as prioridades verdadeiras nas escolhas de consideração de como gastar seu tempo, auxiliará o ser a melhor administrar sua existência carnal,  trabalhando pelo sustento material sem que olvide o serviço do aprimoramento moral que cabe a todos.
Deveras importante é o investimento do tempo na aquisição de uma melhor cultura, associado ao estudo que há de alimentar o intelecto, livrando a criatura das sombras da ignorância. Contudo há aqueles que, conquistam amplos lauréis junto a ciência e as letras, mas que se esquecem de desenvolverem-se espiritualmente, devendo assim, regressarem a Terra para uma melhor administração do tempo nas conquistas verdadeiras voltadas a libertação da própria psique.
Do mesmo modo que existem os escravos dos vícios, existem os prisioneiros das horas, indivíduos que vivem angustiados, ansiosos e torturados pelo tempo. Ou estão sofrendo pelos pesares das lembranças do passado, ou, estão agoniados pela incerteza do futuro, deslembrando da importância da ação no presente, que corrige os erros de qualquer passado e otimiza os acontecimentos planificados para o futuro.
O tempo é tal qual um corcel cavalgando sem cessar, sem nunca se deter. Aqueles que montam-no e partem precipitados tentando vencer a corrida da vida, muitas vezes são os mesmos que não conseguem cruzar bem a linha de chegada, tropeçando nos acidentes da estrada, endividando-se ante as Leis da Vida.
Aqueles outros que investem no tempo, economizando suas forças e dilatando entendimentos, sabendo fazer pausas e tranquilizando ao longo do trajeto, invariavelmente são os que cruzarão a linha de chegada vitoriosos, sem darem maior importância se chegaram nas primeiras ou últimas colocações, bastando para eles que tenham chegado ao lugar que todos buscam na projeção individual da vitória de iluminar-se.
Uma coisa é certa, todos aqueles que usarem do seu tempo para promoverem a criatura humana a um novo patamar de entendimento, ministrando a paz e a verdade entre seus irmãos, contribuindo no esclarecimento das almas e divulgando a luz que afugenta a ignorância e as trevas, exemplificando o bem junto aos semelhantes, esses, quando chegada a hora de cruzarem a aduana da morte, sentirão que cada segundo, minutos e horas gastos nessa ideação de divulgar o amor, foram os maiores guardiões de valores do seu tempo consumado, abrindo-lhes as portas do perdão e da felicidade de uma encarnação proveitosa.
Aproveita bem o teu tempo e ergue obras de esclarecimento e bondade.        

Alfredo Dantas
Mensagem recebida na FEIS na mediúnica do dia 22 de agosto de 2012 
pelo médium Jorge Antonio 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

REGATO DA VIDA





Regato da Vida


A raiz atraída pelo solo mergulha seus braços longos na profundeza da terra e arranca-lhe a seiva da vida, alimentando as folhas e os frutos.
O botão se abre no chamado morno do sol em risonha floração e a abelha beija-lhe a maciez da pétala sorvendo-lhe o doce do mel.
As águas oscilam faceiras na corrida do leito, rociando as margens e saciando os campos, enchendo-os de alegria contagiante, embelezando as árvores e enchendo de cor vivaz a gramínea verde.
O farfalhar do vento ouriçando o plantio, leva de carona as sementes para engalanar as planícies além.
A brisa sussurra cantigas perfumadas a todos os recantos.
O tamborilar da chuva dessedenta e estimula o ciclo produtivo na natureza.
As aves ligeiras em vôos majestosos trinam acordes de louvor ao Criador, lançando no ar as melodias da serenidade.
As ondas bramem levantando suas cristas altas e derramam-se deitando em copiosíssimo matrimônio com as orlas litorâneas.
O verde safira-esmeralda do mar esconde tesouros multicoloridos nas suas vísceras salgadas entre abundantes recursos da sua profundeza sem limites.
A vida estua por todos os quadrantes, orquestras invisíveis aos olhos desatentos estão a desempenhar sinfonias de homenagem às existências.
Silencioso ocupa-se o mundo dos microorganismos, no trabalho incansável motivando renovações.
Os  astros amigos cintilam luz como estrelas longínquas que constelam os céus do mundo, brilhando suas cores em atrelagem a sua rotação.
E o Anjo intercalando em diálogo perguntou-lhe:
- Quem és tu?
- Sou Mãe, terna e amorável, ventre a milhares de filhos que caminham nas minhas camadas. Só tenho, até então, doado, transferido carinhosas bênçãos aos meus filhos, pois não conheço a face de nenhum egoísmo. Em mim tudo é abundante e renova-se a cada instante.
Mesmo maltratada, mesmo seviciada séculos afora, onde usurpam minhas entranhas e intentam secar as minhas fontes, renovo a esperança do recomeço, trago sonhos a realidade.
Sou esfera solícita da vida, meu regato é pleno e minha ordem é prosperar acendendo ao progresso das intenções maiores de amar.
Recebo no meu âmago igualmente os filhos bons e os ingratos sem distinção alguma, acolhendo todos no meu solo, onde depois os herdeiros deixam estendidos os veículos da carne, e então, vejo ascenderem à partícula eterna da vida de encontro ao profundo sentimento da verdade.   
Assim decidido o Anjo define.
- Sim, sei quem tu és, ô Mãe acolhedora.
És o plano de Deus para a remissão dos homens.
És a fronha perfumada nos sonos e despertar contínuos do ser humano.
És a dama generosa que recebe os iniciantes e acolhe-os até que estejam experientes para voejar.
És o educandário bendito que leciona o abecedário a criança humana, levando-a dos jardins da infância, aos jardins da Evangelização.
És a ponte de ligação das estrelas no começo do caminho a eternidade.
És tu, Mãe natureza, Terra de venturas mil e moradas das almas.
- Sim sou isso! Sou mais ainda, oh, Anjo virtuoso. Sou o amor do meu Criador que me enfeitou de belezas e atributos para melhor acalentar o maior desejo do homem, aquele de um dia, tornar-se assim como tu, um Anjo do firmamento, liberto das prisões do mundo e da gravidade do meu solo.

...E cintilavam as estrelas como ligeiros rabiscos de luz que relampagueiam distantes, brilhando hastes florescentes até o infinito.
Em seguida ao diálogo só se ouviu o silêncio da paz a emoldurar a noite.

Irmã Amélia
Mensagem recebida na reunião mediúnica da
Fraternidade Espírita Irmã Scheilla em 29/11/2011 pelo médium Jorge Antonio

ENERGIA DISSONANTE




Energia Dissonante

Alguns espíritas embora engajados nos serviços fraternos, vivem cheios de incertezas, descrentes e a espera de confirmações íntimas para realmente aceitarem as manifestações que os cercam.
O campo do conhecimento humano é deveras limitado em relação as complexidades que cercam o indivíduo. Uns querem explicar tudo através da ciência terrena, outros, justificam todas as coisas através da religiosidade, mas, o fato é: chegados a esse lado de cá da vida, muitas crenças e ancoragens presunçosas tombam e a criatura avista-se verdadeiramente no patamar de aprendiz ao atestar os diversos níveis superiores de conhecimento ainda fora do seu alcance, inclusive na eminência de uma supra consciência a ser desvendada, além da realidade nova que o cérebro humano antes julgava fantasias ou invencionices.
O ser já não quer ter sempre razão, já não luta por um espaço na sociedade, já não se aflige tanto pelas insignificâncias de antes.  Seu duelo agora é com a própria consciência na tentativa de libertá-la das retenções do homem tolo.
Alguns depois de aportarem por aqui, levam tempo até compreenderem os ciclos necessários ao crescimento, principalmente estes irmãos hermeticamente fechados em seu mundo de crenças pessoais. Outros fazem parte desse estado psicossomático da Terra, com essa maneira individual de pensar e julgar muito egocêntrica, já agregada por milhares de forma-pensamentos individualistas, que através do tempo edificou a triste realidade psíquica deste Globo.
Sabendo dessas dificuldades, os Guias aproveitam todas as oportunidades que encontram para ministrar esclarecimentos que libertem a consciência humana desde já dessas celas.
Incansavelmente os mensageiros do outro lado trazem aos homens recados esclarecedores acerca da realidade extrafísica que os cercam, excepcionalmente são clamores no vazio. Poucos são os que fazem verdadeiro usufruto dessas comunicações, quase sempre dando pouca ou nenhuma importância ao sugerido.
Notadamente, as últimas mensagens têm se concentrado nas questões da sintonia mental, nas amarrações psíquicas já em desenvolvimento em certas faixas vibratórias prejudiciais, nas atrações simbióticas, convocando prevenção aos processos sutis de ataque dos adversários do equilíbrio, bem como, chamado a atenção de todos para o reconhecimento das forças protetoras e dos fluidos salutares ofertados na manutenção da estabilidade individual e dos grupos de trabalho.
Não só nessa Casa, mas em quase todas, os alertas têm sido ressaltantes nesse sentido.
Assim como o alimento é responsável para suprir o corpo de nutrientes, transportando para seu interior o combustível para suas atividades energéticas, reparadoras e estruturais, o pensamento é outrossim o alimento do espirito, sustentando-o junto a jornada da carne.
Assim a preocupação dos Guias e Protetores para com os amigos encarnados, fortalecendo as observações para que compreendam melhor que tudo é energia à sua volta, buscando auxiliá-los em concentrarem-se mais por dominar a palavra que sai da boca, em tornarem-se senhores dos próprios pensamentos, vigiando de forma mais atenta suas cobiças irrefletidas e suas vontades levianas. Reparar melhor nas próprias alternâncias entre a estabilização mental e as perturbações recorrentes, entre a serenidade e os processos cíclicos da ansiedade, nas trocas repentinas do humor, para que, analisando melhor essas intercorrências do dia-a-dia, conheçam-se e possam de forma mais conscienciosa auto-ajudarem-se.
Nesse quesito de conhecer melhor a si mesmo, cada qual pode validar as próprias tentativas como salutares ou negativas, tentando transformar pouco a pouco suas experiências de vida.
Devemos aceitar que poucos se conhecem integralmente, sendo esse o grande aprendizado do homem desde seu nascimento até a extinção do corpo material. A importância que dermos a eficácia da mente, identificando as forças atuantes junto a nossa existência carnal, pode sim nos assistir na compreensão de nós mesmos e do mundo a nossa volta.
Lembremos de Santo Agostinho que nos convidou a ver no fundo do nosso ser as forças obscuras fora da consciência brilhante e do livre exercício da nossa vontade, que podem determinar nosso comportamento, afirmando para nós que, o fundamento da alma é sua contínua autoconsciência.
Sendo assim, atentemos cada vez mais aos impulsos da mente, esforçando-nos para o controle das nossas vontades, palavras, desejos e pensamento.
Deixemos de ser dependentes emocionais dos outros, dependendo da aprovação alheia para tudo. Já nos tornamos capazes de discernir entre o adequado e o proveitoso para nossos espíritos. Vamos abandonar essa postura de vítimas dos nossos ciclos sociais e vamos ter juízo próprio acerca de nós mesmos e do nosso caráter.  Vamos deixar de ser circunspectos na própria instrumentação íntima. Vamos buscá-la diariamente. Tornemo-nos senhores do “eu” através do trabalho interno que nos cabe. Vamos todos, já não podemos mais perder tempo nessa roda de reencarnações.    

Pe. Alberto Fonseca

Mensagem recebida na FEIS na mediúnica do dia 05 de julho de 2012 
pelo médium Jorge Antonio