O Tesouro
Abelardo mandara cavar grande buraco no jardim da sua casa, onde todos
já aguardavam impacientes a piscina, que seria a felicidade dos filhos
pequenos.
Enquanto a máquina revolvia a terra com grande barulho, nosso irmão
notou algo brilhante. Como o tratorista se afastava com a pá cheia de terra,
desceu no declive sujando os sapatos, para descobrir que tratava-se de um baú
soterrado. Era daqueles de madeira, ornado com artefatos de prata, que reluzia
uma lingueta de chave antiga.
Rápido, para que nenhum operário visse o tesouro que ocultava nos
braços, levou o baú para os fundos, direto à garagem.
Sua mente então desdobrou-se em imaginações. Que continha aquela caixa
maravilhosa? Talvez uma fortuna em ouro escondida pelo antigo dono da propriedade.
Ou quem sabe, moedas raras. Algum mapa indicando alguma riqueza maior... Seus
olhos brilhavam.
A caixa por si só já deveria valer um bom dinheiro no antiquário. Era de
madeira de lei, pesada, maciça, bem desenhada nos arabescos que lhe decoravam
inteira. Como fivelas, eram passadas a sua volta dois traços de prata, com a
fechadura no meio saltando para fora. Era um capricho.
Absorto, parecia uma criança quando recebe novo brinquedo. Ansioso por
descobrir os segredos que continha o baú, forçou a fechadura sem sucesso.
Estava trancada e bem trancada.
Excelente artesão deveria ter confeccionado a pequena arca. Soube
reconhecer de imediato o talento do artista que tinha moldado aquela Jóia.
Cauteloso, munido das ferramentas certas e com uma flanela felpuda para
não ferir a madeira, foi forçando devagar a tranca. Pouco em pouco esta foi
cedendo a força do malho e finalmente abriu.
Para sua surpresa a caixa continha um livro, como que embalado para
presente. Desapontado, rasgou o papel finamente decorado e descobriu em sua
mãos “O Livro dos Espíritos”. Junto a ele veio um bilhete que lia assim:
“Fui Livreiro
e toda minha vida dediquei aos livros. Sustentei a família, eduquei os filhos e
netos com a venda de livros.
Esse foi o
exemplar mais raro que me chegou as mãos. Sua leitura fez mudanças incríveis e
maravilhosas em minha vida e na vida da minha família. É indiscutivelmente um
grande e meu único tesouro!
Escondo-o
assim na terra e rogo aos Bons Anjos que, algum homem de sorte grande, encontre
esse tesouro um dia, pois eu, podia tê-lo presenteado a alguém, mas não o quis
fazê-lo, já que, poderia escolher alguém que não o merecesse de verdade. Assim,
prefiro acreditar no destino. Não no acaso! Que afortunada pessoa, que dele
muito precisa, haverá de achá-lo. E ele, o livro, haverá de transformar a sua
vida, como a minha transformou. Trazendo-o a maior riqueza que um homem pode
desejar, ...o esclarecimento!”
Abelardo, de início desapontado, depois de lido o bilhete, ria-se
satisfeito.
Mandou então limpar a caixa, lustrar o prateado dela e colocou-a bem a
vista, no móvel da sala, aberta, com o raro livro dentro.
E não é que o Livreiro tinha razão!
Com o passar dos anos aquele livro tornou-se grande tesouro para toda
família, que lendo-o, mesmo que por pedaços, vieram a conhecer a Doutrina dos
Espíritos e amá-la, modificando às suas vidas, colocando luz e entendimento nas
suas consciências.
Positivamente Abelardo encontrara um verdadeiro tesouro, pois que, a
riqueza que o livro lhe trouxe, levou com ele para a outra vida. Coisa que nem o ouro nem a prata admitiriam. E lá
chegando, teve a satisfação de conhecer e poder agradecer em pessoa, o gesto
singelo, criativo e caridoso do bondoso Livreiro, manifestando por ele grande
admiração e amizade.
Antônio
Augusto
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 10 de fevereiro de 2015
pelo médium Jorge Antônio
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