domingo, 15 de fevereiro de 2015

O TESOURO



O Tesouro

Abelardo mandara cavar grande buraco no jardim da sua casa, onde todos já aguardavam impacientes a piscina, que seria a felicidade dos filhos pequenos.
Enquanto a máquina revolvia a terra com grande barulho, nosso irmão notou algo brilhante. Como o tratorista se afastava com a pá cheia de terra, desceu no declive sujando os sapatos, para descobrir que tratava-se de um baú soterrado. Era daqueles de madeira, ornado com artefatos de prata, que reluzia uma lingueta de chave antiga.
Rápido, para que nenhum operário visse o tesouro que ocultava nos braços, levou o baú para os fundos, direto à garagem.
Sua mente então desdobrou-se em imaginações. Que continha aquela caixa maravilhosa? Talvez uma fortuna em ouro escondida pelo antigo dono da propriedade. Ou quem sabe, moedas raras. Algum mapa indicando alguma riqueza maior... Seus olhos brilhavam.
A caixa por si só já deveria valer um bom dinheiro no antiquário. Era de madeira de lei, pesada, maciça, bem desenhada nos arabescos que lhe decoravam inteira. Como fivelas, eram passadas a sua volta dois traços de prata, com a fechadura no meio saltando para fora. Era um capricho.
Absorto, parecia uma criança quando recebe novo brinquedo. Ansioso por descobrir os segredos que continha o baú, forçou a fechadura sem sucesso. Estava trancada e bem trancada.
Excelente artesão deveria ter confeccionado a pequena arca. Soube reconhecer de imediato o talento do artista que tinha moldado aquela Jóia.
Cauteloso, munido das ferramentas certas e com uma flanela felpuda para não ferir a madeira, foi forçando devagar a tranca. Pouco em pouco esta foi cedendo a força do malho e finalmente abriu.
Para sua surpresa a caixa continha um livro, como que embalado para presente. Desapontado, rasgou o papel finamente decorado e descobriu em sua mãos “O Livro dos Espíritos”. Junto a ele veio um bilhete que lia assim:
“Fui Livreiro e toda minha vida dediquei aos livros. Sustentei a família, eduquei os filhos e netos com a venda de livros.
Esse foi o exemplar mais raro que me chegou as mãos. Sua leitura fez mudanças incríveis e maravilhosas em minha vida e na vida da minha família. É indiscutivelmente um grande e meu único tesouro!
Escondo-o assim na terra e rogo aos Bons Anjos que, algum homem de sorte grande, encontre esse tesouro um dia, pois eu, podia tê-lo presenteado a alguém, mas não o quis fazê-lo, já que, poderia escolher alguém que não o merecesse de verdade. Assim, prefiro acreditar no destino. Não no acaso! Que afortunada pessoa, que dele muito precisa, haverá de achá-lo. E ele, o livro, haverá de transformar a sua vida, como a minha transformou. Trazendo-o a maior riqueza que um homem pode desejar, ...o esclarecimento!”
Abelardo, de início desapontado, depois de lido o bilhete, ria-se satisfeito.
Mandou então limpar a caixa, lustrar o prateado dela e colocou-a bem a vista, no móvel da sala, aberta, com o raro livro dentro.
E não é que o Livreiro tinha razão!
Com o passar dos anos aquele livro tornou-se grande tesouro para toda família, que lendo-o, mesmo que por pedaços, vieram a conhecer a Doutrina dos Espíritos e amá-la, modificando às suas vidas, colocando luz e entendimento nas suas consciências.
Positivamente Abelardo encontrara um verdadeiro tesouro, pois que, a riqueza que o livro lhe trouxe, levou com ele para a outra vida. Coisa que nem o ouro nem a prata admitiriam. E lá chegando, teve a satisfação de conhecer e poder agradecer em pessoa, o gesto singelo, criativo e caridoso do bondoso Livreiro, manifestando por ele grande admiração e amizade.   


Antônio Augusto
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 10 de fevereiro de 2015 pelo médium Jorge Antônio

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