domingo, 1 de fevereiro de 2015

OS QUE APENAS OUVEM e OS QUE AGEM



Os que apenas ouvem e os que agem

Será que alguém poderia conhecer o interior de um imóvel apenas estudando sua planta arquitetônica? Não! Seria de fato necessário adentrá-lo, caminhar por todos os seus cômodos, observar a disposição dos móveis e seus arranjos, acender a luz dos aposentos para poder enxergar melhor, enfim, perceber todo seu espaço na forma real que só a presença física no local permite.
Também, numa comparação estreitada, somente a leitura dos livros espíritas não fará de ninguém conhecedor do Espiritismo. Será necessário “caminhar” nas suas verdades, adentrar os postulados da Doutrina, vivenciando o que ela apregoa para assim conhecê-la nas suas reais dimensões.
Toda letra sem ação é letra morta! Toda palavra sem o exemplo da vivência torna-se vaga pretensão.
Apoiado dentro da verdades expressadas pelo Espiritismo, perguntamos, quais ensinamentos são repetidamente proclamados? A destruição do orgulho e do egoísmo, a ascendência moral da criatura, a pratica desinteressada da caridade, o amor ao próximo ao ponto de perdoar todas as suas ofensas, o serviço altruísta no bem com a intenção de minorar os sofrimentos e angustias humanas, a disseminação da verdade sobre a vida após a morte ajudando a esclarecer as mentes e afastar as ignorâncias, a propagação da paz, esses são os ensinamentos essenciais. 
É realidade que muitos irmãos e irmãs preferem agir superficialmente no que diz respeito ao Espiritismo, ainda que grande número destes se titulem espíritas ou admiradores da Doutrina, a grande maioria não pretende abrir mão da posição de conforto para assumir os “deveres” que lhes cabem.
O filósofo francês e divulgador do Espiritismo, Léon Denis, foi quem primeiro citou a frase hoje muito expressada, mas ainda pouco compreendida; “O Espiritismo não é a religião do futuro, mas, o futuro de todas as religiões”, não porque o Espiritismo veio para destruir as outras religiões pregando o separatismo, pelo contrário, ele veio trazer a união das religiões e a tolerância entre as mesmas, já que, todas as religiões têm o Espiritismo integrado a sua conjuntura, têm alguma coisa a ver com ele, já que todos somos na realidade espíritos e as religiões legítimas procederam dos Espíritos Mensageiros de Deus, ainda mesmo que tenham sido mal interpretadas pelos homens, seu cerne continua sendo o espiritual.
O Espiritismo não ataca a nenhuma religião e mais no presente, mais no futuro, todos deverão vir a descobrir os seus fenômenos e as suas verdades, elegendo-o como a resposta coerente, natural e lógica as questões ainda incompreendidas pelo homem. 
Hoje o número de pessoas que lêem e se interessam pelos livros espíritas é extraordinário e isso é reconhecidamente um benefício em relação aos esclarecimentos que estão patrocinando a si mesmos, mas, no momento de abraçar com seriedade as próprias requisições íntimas na transformação espiritual, a grande maioria elege o “dar de ombros”, preferem fazerem-se de desentendidos, preferem ficar na superficialidade fechando “os olhos e os ouvidos” para que possam continuar na posição de conforto que não lhes estampe o encontro sincero com a própria imagem no espelho íntimo do eu.
O que dizer a esses que estão, anos após anos, indo as Casas Espíritas para somente assistirem as doutrinarias, outros ainda buscando no Centro Espírita o socorro espiritual exclusivamente quando “as coisas apertam”, sem nunca terem se perguntado “em que posso ser útil?”, “como posso me aprofundar mais, cooperando com os trabalhos fraternos na Casa que frequento”?
Como asseverou o nosso Mestre, os campos estão cheios esperando a hora da colheita, mas faltam trabalhadores para a ceifa.
Existem meus irmãos diversas maneiras diferentes de viver e morrer. Alguns vivem tão agarrados as coisas da matéria que nem se apercebem que estão a todo tempo aprisionando-se mais e mais. Entram e saem de celas, prisioneiros dos próprios sentidos e das próprias escolhas, escravos desse sistema castrador. E nunca sobra tempo para que cuidem da evolução das suas almas!
Só seremos plenos nos dedicando ao outro, assassinando o egoísmo e o orgulho para fazer brotar o ser fraternal, aquele que sabe identificar a família universal através das suas ações e da sua capacidade.
Viver a caridade é praticá-la na pureza das intenções, atuando de muitas maneiras, com fé e determinação. Temos muitos confrades aprisionados as conquistas do intelecto, descriminando o trabalho alheio sem apresentar algo efetivo e duradouro proveniente de si mesmo, fechando-se nos bastidores das censuras e críticas sem sequer  “arregaçar as mangas e dar a cara a tapa” para a execução das tarefas. Como nos disse o grande evangelizador Chico Xavier, “a maior caridade que podemos fazer a Doutrina Espírita é divulgá-la”, e a melhor forma de divulgá-la é exemplificando-a, trabalhando junto a ela e praticando as verdades que ela apregoa para o crescimento moral e evolutivo desse Globo.
O público frequentador das Casas Espíritas vão e voltam à centenas de milhares, mas poucos são os que se integram ao grupo de trabalhadores voluntários. E há tanto ainda a ser feito e organizado nos trabalhos das Casas Espíritas, mas faltam braços, faltam mentes e falta vontade. O grupo de acomodados é bem maior, enquanto as tarefas se multiplicam nos dois planos de forma permanente, cobrando interessados, ativos e assíduos trabalhadores, a grande maioria pensa: “isso não é comigo, não é da minha conta, não é trabalho meu”. Lamentavelmente é assim!
O convite do Alto e àqueles íntimos, próprios do espírito encarnado, repercutem e ecoam nas almas, excepcionalmente poucos são os que o aceitam e partem decididos as reformas que a Terra aguarda ansiosamente. A grande maioria vai relegando-o a segundo plano, sempre dizendo; “há bastante tempo ainda...”, deixando os deveres espirituais para mais tarde.
A transição planetária bate à porta, enquanto muitos esperam cômodos pela Era Regenerativa, esquecem que ela deverá ser decretada e desempenhada pelo próprio homem de forma atuante, que carece de, repetindo uma vez mais, “arregaçar suas mangas e dar a cara a tapa” partindo intimorato as colheitas no trabalho do Bem e nos exemplos da Fraternidade.        

Alberto Fonseca*
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS, quinta dia 27 de Fevereiro de 2014 pelo médium Jorge Antônio


* Alberto da Fonseca Rebelo viveu sua última encarnação, noticiada com o mesmo nome que adota nas mensagens que transmite, em Portugal, nasceu em Lisboa pelos idos do ano 1700, mas viveu grande parte da sua vida na Villa de Mafra no Real Convento onde foi padre e graduado na Faculdade dos Sagrados Cânones em Coimbra. Existe uma poesia sua nos arquivos do seu conterrâneo e amigo Frei Matias da Conceição, datada de 1755 sobre a assolação da cidade de Lisboa pelo terremoto acontecido em primeiro de novembro daquele ano. Começou a enviar mensagens à Fraternidade Espírita Irmã Scheilla (FEIS) no dia 23 de julho do ano de 2009 e é também integrante das Equipes de trabalho presididas por Cairbar Schutel.

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