Será
que alguém poderia conhecer o interior de um imóvel apenas estudando sua planta
arquitetônica? Não! Seria de fato necessário adentrá-lo, caminhar por todos os
seus cômodos, observar a disposição dos móveis e seus arranjos, acender a luz
dos aposentos para poder enxergar melhor, enfim, perceber todo seu espaço na
forma real que só a presença física no local permite.
Também,
numa comparação estreitada, somente a leitura dos livros espíritas não fará de
ninguém conhecedor do Espiritismo. Será necessário “caminhar” nas suas
verdades, adentrar os postulados da Doutrina, vivenciando o que ela apregoa
para assim conhecê-la nas suas reais dimensões.
Toda
letra sem ação é letra morta! Toda palavra sem o exemplo da vivência torna-se
vaga pretensão.
Apoiado
dentro da verdades expressadas pelo Espiritismo, perguntamos, quais
ensinamentos são repetidamente proclamados? A destruição do orgulho e do
egoísmo, a ascendência moral da criatura, a pratica desinteressada da caridade,
o amor ao próximo ao ponto de perdoar todas as suas ofensas, o serviço
altruísta no bem com a intenção de minorar os sofrimentos e angustias humanas,
a disseminação da verdade sobre a vida após a morte ajudando a esclarecer as
mentes e afastar as ignorâncias, a propagação da paz, esses são os ensinamentos
essenciais.
É
realidade que muitos irmãos e irmãs preferem agir superficialmente no que diz
respeito ao Espiritismo, ainda que grande número destes se titulem espíritas ou
admiradores da Doutrina, a grande maioria não pretende abrir mão da posição de
conforto para assumir os “deveres” que lhes cabem.
O
filósofo francês e divulgador do Espiritismo, Léon Denis, foi quem primeiro
citou a frase hoje muito expressada, mas ainda pouco compreendida; “O
Espiritismo não é a religião do futuro, mas, o futuro de todas as religiões”,
não porque o Espiritismo veio para destruir as outras religiões pregando o
separatismo, pelo contrário, ele veio trazer a união das religiões e a
tolerância entre as mesmas, já que, todas as religiões têm o Espiritismo integrado
a sua conjuntura, têm alguma coisa a ver com ele, já que todos somos na
realidade espíritos e as religiões legítimas procederam dos Espíritos
Mensageiros de Deus, ainda mesmo que tenham sido mal interpretadas pelos
homens, seu cerne continua sendo o espiritual.
O
Espiritismo não ataca a nenhuma religião e mais no presente, mais no futuro, todos deverão vir
a descobrir os seus fenômenos e as suas verdades, elegendo-o como a resposta
coerente, natural e lógica as questões ainda incompreendidas pelo homem.
Hoje o número de pessoas que lêem e se interessam
pelos livros espíritas é extraordinário e isso é reconhecidamente um benefício
em relação aos esclarecimentos que estão patrocinando a si mesmos, mas, no
momento de abraçar com seriedade as próprias requisições íntimas na transformação
espiritual, a grande maioria elege o “dar de ombros”, preferem fazerem-se de
desentendidos, preferem ficar na superficialidade fechando “os olhos e os
ouvidos” para que possam continuar na posição de conforto que não lhes estampe
o encontro sincero com a própria imagem no espelho íntimo do eu.
O que dizer a esses que estão, anos após anos, indo
as Casas Espíritas para somente assistirem as doutrinarias, outros ainda
buscando no Centro Espírita o socorro espiritual exclusivamente quando “as coisas apertam”, sem nunca terem se
perguntado “em que posso ser útil?”, “como posso me aprofundar mais, cooperando
com os trabalhos fraternos na Casa que frequento”?
Como asseverou o nosso Mestre, os campos estão
cheios esperando a hora da colheita, mas faltam trabalhadores para a ceifa.
Existem meus irmãos diversas maneiras diferentes de
viver e morrer. Alguns vivem tão agarrados as coisas da matéria que nem se
apercebem que estão a todo tempo aprisionando-se mais e mais. Entram e saem de
celas, prisioneiros dos próprios sentidos e das próprias escolhas, escravos
desse sistema castrador. E nunca sobra tempo para que cuidem da evolução das
suas almas!
Só seremos plenos nos dedicando ao outro,
assassinando o egoísmo e o orgulho para fazer brotar o ser fraternal, aquele
que sabe identificar a família universal através das suas ações e da sua
capacidade.
Viver a caridade é praticá-la na pureza das
intenções, atuando de muitas maneiras, com fé e determinação. Temos muitos
confrades aprisionados as conquistas do intelecto, descriminando o trabalho
alheio sem apresentar algo efetivo e duradouro proveniente de si mesmo,
fechando-se nos bastidores das censuras e críticas sem sequer “arregaçar as mangas e dar a cara a
tapa” para a execução das tarefas. Como nos disse o grande evangelizador Chico
Xavier, “a maior caridade que podemos fazer a Doutrina Espírita é divulgá-la”,
e a melhor forma de divulgá-la é exemplificando-a, trabalhando junto a ela e
praticando as verdades que ela apregoa para o crescimento moral e evolutivo
desse Globo.
O público frequentador das Casas Espíritas vão e
voltam à centenas de milhares, mas poucos são os que se integram ao grupo de
trabalhadores voluntários. E há tanto ainda a ser feito e organizado nos
trabalhos das Casas Espíritas, mas faltam braços, faltam mentes e falta
vontade. O grupo de acomodados é bem maior, enquanto as tarefas se multiplicam
nos dois planos de forma permanente, cobrando interessados, ativos e assíduos
trabalhadores, a grande maioria pensa: “isso não é comigo, não é da minha
conta, não é trabalho meu”. Lamentavelmente é assim!
O convite do Alto e àqueles íntimos, próprios do
espírito encarnado, repercutem e ecoam nas almas, excepcionalmente poucos são
os que o aceitam e partem decididos as reformas que a Terra aguarda
ansiosamente. A grande maioria vai relegando-o a segundo plano, sempre dizendo;
“há bastante tempo ainda...”, deixando os deveres espirituais para mais tarde.
A transição planetária bate à porta, enquanto muitos
esperam cômodos pela Era Regenerativa, esquecem que ela deverá ser decretada e
desempenhada pelo próprio homem de forma atuante, que carece de, repetindo uma
vez mais, “arregaçar suas mangas e dar a cara a tapa” partindo intimorato as
colheitas no trabalho do Bem e nos exemplos da Fraternidade.
Alberto Fonseca*
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS, quinta dia 27 de Fevereiro de
2014 pelo médium Jorge Antônio
* Alberto da Fonseca Rebelo
viveu sua última encarnação, noticiada com o mesmo nome que adota nas mensagens
que transmite, em Portugal, nasceu em Lisboa pelos idos do ano 1700, mas viveu
grande parte da sua vida na Villa de Mafra no Real Convento onde foi padre e
graduado na Faculdade dos Sagrados Cânones em Coimbra. Existe uma poesia sua
nos arquivos do seu conterrâneo e amigo Frei Matias da Conceição, datada de
1755 sobre a assolação da cidade de Lisboa pelo terremoto acontecido em
primeiro de novembro daquele ano. Começou a enviar mensagens à Fraternidade
Espírita Irmã Scheilla (FEIS) no dia 23 de julho do ano de 2009 e é também
integrante das Equipes de trabalho presididas por Cairbar Schutel.
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