Almas de luz
Benditas sejam as almas que se vestem de luz!
Por aí afora existem aqueles que estão a espera da
mais nobre e desinteressada amizade. Esperam por essas almas que se vestem de
luz e atendem aos corações simples, trazendo-lhes a esperança de que alguém se
importa com eles.
Esses que estão pelas ruas e praças vivendo a míngua,
mas que ainda emolduram no rosto um sorriso confiando que tudo haverá de
melhorar um dia. Esses são como pérolas raras escondidas em conchas delgadas. Esses
que a vida maltrata repetidas vezes como que a lapidar-lhes o espírito
incansavelmente.
Esses que parecem invisíveis para todas as gentes,
para a sociedade, quando tratados com alguma intimidade e carinho, se lhes abre
o coração e mais que depressa podemos notar a jovialidade que brota mesmo apesar
de todo sofrer.
De minha parte posso dizer que já sofri muito e que
vendo esses pequenos que hoje sofrem me dói as “entranhas” ainda ligadas a
Terra. E não me canso de procurar almas boas para inspirar-lhes a sair do seu
conforto e ir de encontro a esses meus irmãos sofredores. Mais a vida que lhes
assinala a marcha, tão encharcada de necessidades materiais, cria um abismo
muito grande separando-os dos meus miseráveis. Poucos são aqueles que me ouvem o
chamado e consigo tocar-lhes o coração para irmos juntos, de mãos dadas e
felizes ao encontro dos desgraçados. E quando adentro os guetos, lá onde a
carência de tudo prolifera, apenas as almas vestidas de luz me acompanham.
Pois creio que, se todos eles pudessem resistir às más
influencias de tantos espíritos inferiores e perversos, não desejosos de
progresso, eles prestariam maior atenção aos seus irmãos sofredores. E não falo
da caridade material que é a menor de todas elas, falo do consolo, da conversa
amiga, do carinho e interesse pelos desprestigiados, pelos esquecidos.
E tenho visto, quanto mais altas ficam as paredes dos
castelos das classes privilegiadas, menos elas olham para baixo. Creio que
aqueles que procuram o ouro e os tesouros da Terra se surpreenderiam em saber
que aí, junto a miséria, achariam muitas pérolas, que de melhor maneira, os
fariam bem mais ricos.
Mas o medo tomou conta, a indiferença de alguns também
e a caridade entre quatro paredes é mais segura. Não adianta eu afiançar que, todo
aquele que estiver motivado pela fraternidade verdadeira estará guardado de
qualquer ameaça e perigo, pois os zeladores dessas almas que se vestem de luz
são numerosos e diligentes.
Se não conto com muitos para ir comigo, apresso-me em
compreensão, pois todos têm seus afazeres. E quando sobra-lhes migalhas e lembram-se
dos meus, eu agradeço imensamente. Mas aprendo muito com meus pobres, que nada
tendo, carecendo do mais necessário e do mais indispensável, apressam-se quando
tem pão para repartir sua escassa ração com outro igual ou mais desventurado.
Essa sim é uma lição, um grande estudo das leis humanas e divinas ao mesmo
tempo. E assim eu os louvo e passo a relatar aos amigos espirituais os feitos
sublimes desses meus heróis ocultos. Entre os desgraçados nem todos pagam
aquilo que muito devem, há muitas almas boas que escolheram a provação da
miséria e que se ocultam humildemente nessa condição para mais tarde poder
brilhar a sua luz na pátria espiritual. Vêm a Terra para ganhar muitos séculos
perdidos.
Ah quanto dizem os olhos do sofredor! E aqueles que
querem lê-los na angustia e na dor, como falam fundo ao seus corações. Sempre
que algum deles me acompanham as favelas e ruelas, aprendo e ensino compaixão.
Aqueles que esquecem de si um pouquinho e se voltam ao meu chamado, me fazem
imensamente feliz, a mim me encantam, seduzem, parece que vejo neles
resplendores das estrelas a caminhar comigo ao paraíso das religiões, pois não
conheço nenhuma religião mais verdadeira que a caridade. Não necessita templo,
altares, cultos ou crenças, apenas olhar atentamente a dor de um outro
qualquer.
Uma vez estando numa reunião de
livres-espíritos-pensadores, ecoou ao meu lado uma voz doce, que dizia com
grande sentimento: “Graças a Deus que encontramos almas boas, que descem dos
pedestais e caminham de encontro aos sofredores”. Virei-me e me transportei ao
lado de fora, onde vi rezando uma menininha, suja, enfermiça, magrinha e
pálida, que estreitava seu braço para receber carinho e alimento de uma das
minhas almas de luz. Olhei-a atentamente e vi sair do seu coração jatos de luz
ao encontro do socorrista, no seu rosto agora havia um animado sorriso, algo indefinível
para alguns, mas para quem lhe ofertou afeto, transformou-se num poema de luz.
E são esses que escolho como meus amigos. Sempre que
os vejo, não aparecem aos meus olhos com suas vestes carnais, mas vestidos com
as roupas da caridade a me sinalizar que com eles, independente de tudo, eu posso
contar. Pois nas minhas horas de folga, mesmo poucas, busco-os e vamos ao
encontro dos meus filhos, pois uso-os como as mãos e bocas que já não possuo na
carne. E somos tão felizes em dividir tais momentos. E quando eles se afastam,
já não se parecem os mesmos para mim, estão envoltos em túnicas de tecido impalpável,
fiado pelo coração, brilhando aos meus olhos. E sei que se não me atenderem a
um outro chamado novamente, o vago esplendor dessa nossa associação murmurará
docemente para sempre aos meus ouvidos.
E digo, se desejas também tu ir comigo, me chamas que
iremos, pois para mim, benditas são essas almas que se vestem de luz!
Anastácia
Mensagem recebida na FEIS quinta-feira do dia 18 de abril de
2013 pelo médium Jorge Antonio

Nenhum comentário:
Postar um comentário