
Dama da ilusão
Trafegava pelas estradas do mundo arrebatando
adoradores, acumulando mais e mais admiradores ao seu exercito de conduzidos.
Delegava ordens que eram prontamente atendidas.
Plateias inteiras seguiam-na.
É verdade que possuía alguns adversários indiferentes
as suas investidas, contrastando com as milhares de almas rendidas ao seu
fascínio.
Questionada acerca da sua dominância e alcance na
sociedade, respondeu com altivez:
- Sou a senhora das intenções encobertas. Sou o próprio
espelho da humanidade. Sou eu que motivo os artistas diante dos picadeiros da
vida! Sou a verdadeira medalha que o esportista busca. Nas noites de opulência,
a vestimenta glamorosa que cobre as peles excitantes. Sou as joias mais caras
que adornam os pulsos, os dedos e os colos daquelas que anseiam pelos olhares
da inveja e da cobiça.
Sou também a
real motivação dos oradores insuflados, que sobem as tribunas replenos da minha
garantia.
Sou a
juventude briosa que acredita nunca envelhecer, que caminha gloriosa pelos corredores
das devassidões.
Sou a
veneração do corpo, que endeusado serve a minha proposta de atormentar as
mentes.
Sou a procura
desenfreada e doentia pela fama e pela maior audiência. Sou a afetação da luta
pelo poder, pelos primeiros lugares à mesa.
Eu quero sempre
ser a última voz do diálogo, ininterruptamente acenando para as multidões
embevecidas.
Examinada
sobre sua opção religiosa, redarguiu:
- Amo muito os religiosos volvidos para o próprio “eu”.
Esses são meus nomeados. Pastores da fatuidade que adornam suas palavras vazias
para parecerem admiráveis. Contemplativos que adoram falar por horas atacando a
todos os credos e seitas diferentes da sua. Cristões cheios da verdade, cheios
do verbo sem nenhuma ação são os meus serviçais, condicionados ao meu regato, donde
saciam sua sede de serem os escolhidos de Deus.
Riu-se galhardamente e foi.
Observamos assim a sua postura ereta, tal qual figura
grega, toda ornada e vestida de plumas, condecorada pela altivez do olhar que divisava arrogante o horizonte infinito. Afastou-se
caminhando sobre saltos altíssimos, pisando com firmeza qual soberana sobre a
Terra dominada.
Todavia naquele mesmo dia chegou a hora do encontro
extremo, cruzou a fronteira da morte adentrando os umbrais do outro mundo
despida. Daquele modo, desnuda, sem suas alegorias, suas dissimulações, sua
mansarda e suas vestes, aterrou-se.
As máscaras tinham desabado, as sombras envolviam seu
rosto encarquilhado. Com trapos sujos e rotos tentava agora cobrir o corpo
ulcerado, mendigando clemencia aos céus.
Enganada em suas convicções superficiais, gritava,
esperneava e chorava a soluçõs, intentando fugir da veracidade do momento.
O Guardião do portão da Vida perguntou-lhe:
- Quem és tu mulher desditosa, alma penada da vastidão
humana?
E numa voz rouca e fraca, tão diversa da altiva
persona do ontem, respondeu em suspiro de aflição:
- Sou Vaidade, a rainha dos homens, a amante duradoura
dos mortais tolos e iludidos.
O Anjo Guardião olhando-a com misericórdia, enunciou:
- Minha filha, só a humildade pode salvá-la da demência.
Trabalha junto a simplicidade e aprende de novo a ser semente.
Poeta Amigo
Mensagem recebida na reunião mediúnica da FEIS no dia
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