quarta-feira, 22 de julho de 2015

AS EXPRESSÕES DO DOAR


As Expressões do Doar

Assim como a flecha bem lançada procura o alvo, nós todos procuramos o alvo das nossas intenções legitimas. Além de todas as aparências, além de todas as poses, das aquisições pessoais, do sucesso profissional, do prestígio e das capacidades que possuímos, carecemos da valorosa conquista íntima, única que haverá de nos satisfazer em plenitude.
Reencarnamos destinados a realizações e enquanto não dispusermos os nossos talentos e faculdades a cargo das realizações que importem à alma, estaremos sempre incompletos.   
Devemos reconhecer que, viver não é um ato isolado. É uma conexão, com o mundo onde interatuamos e com as pessoas que nos cercam. Precisamos uns dos outros, continuamente, por isso a nossa procura pala caridade, pois intimamente, mesmo no inconsciente, reconhecemos que ela seja a propulsora de sentimentos genuínos que nos permitirão a plenitude que infelizmente não se verifica em outras formas de conquistas humanas, quase sempre aparentes e temporárias.
Essas conquistas, quando comparadas as emoções geradas, estacionam no terreno das coisas mundanas, das quais não podemos contabilizar as aquisições ao espírito. Todas as conquistas que aprimoram a alma, “cortam” dela impulsos, vícios, preferências e atitudes egoístas. E qual, se não a maior, que “talhe” tão bem a alma ensinando-a tantos requisitos morais, como a caridade?
Porém, o mundo moderno nos dificulta o passo nesse sentido, pois engloba um sem número de exigências, fazendo crescer em nós as pressões e cobranças de toda sorte, dificultando com suas correrias e estresses, o atendimento do tempo próprio a estação das coisas relevantes a alma.
E muitos estão envolvidos tanto nessa correria diária, em busca do sucesso e do sustento, que nem se apercebem da rotina tão repetitiva em que vivem, sem atinar para a busca interior, despojando-se dos conceitos da sociedade sobre o que seja felicidade, libertando-se de tanta cobrança para alcança-la, descobrindo-a por outros meios legítimos ao espírito.
Há uma outra vertente, que procura avidamente nas religiões e filosofias os mecanismos, de todas as formas, por todos os meios, que lhes possibilite encontrar um elo com o mundo espiritual, na resposta tão aguardada ao vazio existencial que neles se manifesta.
De um lado temos os incréus e materialistas declarados, preocupadíssimos com as conquistas do hoje, de outro os religiosos e místicos, tão condicionados a interpretações humanas sobre a divindade, valorizando sempre mais o passado que o futuro do ser, infligindo-se com o peso constante das culpas. No meio deles um número reduzido de almas (se comparadas a esses dois grandes contingentes que vociferam suas certezas) que reconheceram a necessidade de se burilar, de procurar o entendimento consciencial, de retirar o véu que lhes cobre a visão de si mesmos, removendo a roupa que o mundo ajudou a vestir para a caminhada adequada de iluminar o íntimo, distinguindo na ação em favor do semelhante, a paz verdadeira e a felicidade real na importância incorruptível do doar.  
E não estamos falando da caridade material, sim da caridade moral, muito mais significativa e reveladora para o espírito.
Essa caridade autêntica não é outra senão o alvo que comentamos no início, o alvo que o espírito tanto tenta alcançar em cheio. Entre os aprendizados dispostos por ela, do inexperiente e vaidoso intercâmbio inicial com a caridade, até o entendimento das suas múltiplas expressões dilatando os próprios horizontes do ser, há uma grandíssima caminhada para o espírito humano vencer.
Poderia dizer que ela, a caridade, vive em nós como uma cobrança íntima, principalmente nos espíritas-cristãos, a cobrança da doação liga-se àquela do campo das realizações próprias. E muitas vezes, também engolfados nessa azáfama do mundo moderno, sentimo-nos asfixiados, sem tempo e sem recursos para doar como gostaríamos e tanto nos cobramos. A esses que assim se sentem, diríamos:
As formas de desdobrar o amor são inúmeras e sempre alicerçadas pela verdade do coração, sem qualquer outro interesse que não seja auxiliar e amar. Asseveramos que as maiores doações da alma, a genuína caridade, vem das coisas mais simples que sugestionam o espírito a crescer. Quando você descobre que tudo que precisa realmente para doar está dentro de você, deixa de buscar impacientemente por algo material para ser dado e passa a doar de si mesmo. Só então você entende a importância do seu tempo doado ao outro. A importância da atenção. Do Afeto. A doação de uma orientação salutar. De um esclarecimento importante na hora necessitada de uma explicação mais paciente. Entende a gravidade de um carinho na hora oportuna. Do respeito e da aceitação. Do não julgamento. Da postura de paz onde haja discórdias. Da palavra que confere o renovar dos ânimos ao abatido. Do olhar de aprovação a quem precisa do impulso do reconhecimento. Da inestimável compreensão dos erros alheios.
Enfim, todas elas e muitas outras, formas de doação, de caridade, que não podemos colocar preço monetário, nem embrulhar em papel de embalagem, nem dimensionarmos em valores meramente humanos, todas elas presentes verdadeiros, ações de bondade que nada custam e conferem a seus doadores reconhecimento entre as expressões legítimas da fraternidade, nos ligando, ainda da Terra, aos elos do amor divino e inesgotável desse Bondoso Pai.

Alfredo Dantas
Mensagem recebida na reunião mediúnica dos trabalhadores 
da FEIS na terça, dia 21 de julho de 2015 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

CHOQUE EVOLUTIVO


Choque Evolutivo

Por mais que ansiemos por companhia e vivamos cercados de pessoas, cada um deverá percorrer de forma solitária, no silêncio profundo do íntimo, o desbravamento pessoal até atingir o ápice numa nova maneira de ver o mundo, de ser e sentir.
A escola Terra, onde possuímos um corpo emprestado, esse admirável instrumento evolutivo no instituto da reencarnação, nos possibilita compreender, ante as muitas necessidades impostas pela realidade física, de que não podemos fugir do exercício da conscientização.
Os sofrimentos humanos de várias matizes, desbastam nossas imperfeiçoes mais grosseiras, ajudando-nos com seus choques evolutivos a acelerarmos o despertar de novas realidades. Como nossa tendência espiritual é evoluir sempre e mais, não podemos estacionar num lugar comum, por isso o sofrimento, embora nunca bem recebido, é esse agente precioso e não há quem dele não necessite para acordar o ser aos impulsos mais generosos no exercício pleno da verdade e da solidariedade, que haverão de se manifestar, cedo ou tarde, no enfrentamento das adversidades.
Quando experimentamos em nós mesmos a dor, é mais difícil não nos sensibilizarmos com a dor do outro, reconhecendo assim que devemos percorrer diversos caminhos até distinguirmos que a resposta para nossas questões mais afligentes é o amor aos semelhantes. Não importa qual seja a pergunta, o amor será sempre a melhor resposta.
Precisamos nos lembrar que aqui nesse momento, vivemos de ecos do passado, refletidos em nós mesmos para nos colocar frente a frente com essa ocasião mágica do despertar.
No caminho vamos carregando pesos inúteis e acabamos por deixar de lado coisas tão simples e vamos nos enganando mais e mais a ponto de imaginarmos que estamos indo na direção certa por causa das nossas crenças e da nossa maneira individualista de julgar e ver as coisas e as pessoas, quando então necessitamos desses choques evolutivos que nos fazem olhar de dentro para fora e descobrir que estávamos vivendo na mesmice e reagindo por padrões já ultrapassados.
É quando podemos dar saltos de progresso, compreendendo o nosso envolvimento com a vida, nos empenhando para compreendermos os mecanismos que à abrange junto as relações entre espíritos compulsoriamente endividados e que necessitam, a base de todos os esforços, apoiarem-se mutuamente nos recursos do esclarecimento e do amor fraternal.  
Combata os seus temores exercitando a confiança, combata os seus vícios exercitando a sua razão, empenhe-se por identificar e vencer suas próprias mazelas, medos e vícios, pois cada um de nós têm questões a serem trabalhadas, bastante adiadas e nosso empenho nesse sentido fatalmente despertará impulsos cada vez maiores de renovação.
Inegavelmente ninguém poderá fazer isso por nós, nenhum livro, nenhum conselho ou mensagem, por mais clara e objetiva que seja, poderá nos corrigir os passos se não  nos dispusermos ao esforço hercúleo de nos conhecer devidamente, a ponto de assumirmos, pelo menos para nós mesmos, os nossos defeitos, nos conscientizando da necessidade indispensável de considerarmos as vantagens importantes em amadurecermos corrigindo-os.
Resta-nos agir, trabalhar o íntimo abandonando o acomodamento e a imagem refletida pelo ego, menos palavras e mais ação nesse sentido. Antes que surjam cobranças cármicas ainda mais penosas, representadas por dissabores duros, podemos comandar a nossa vida na atitude do despertar.    
Enquanto lermos algo desse tipo e pensarmos imediatamente que essa mensagem foi dirigida a outro alguém e não a nós, ainda falta a justa percepção de quem somos e do quanto necessitamos investir em nós mesmos para nos habilitarmos ao amor maior, tão desprovido de realces elevados e tão confundido na Terra, entendendo definitivamente a finalidade da nossa jornada humana.      
   

Fausto
Mensagem recebida na terça, dia 07 de julho de 2015, pelo médium Jorge Antônio

sábado, 2 de maio de 2015

A BOA DÚVIDA


A Boa Dúvida

No envoltório físico somos constantemente envolvidos pelas carências orgânicas, que como toda máquina que desempenha um trabalho contínuo, deve ter boa manutenção e cuidados.
Da mesmíssima forma que cuidamos da saúde física, medicando-nos quando as enfermidades aparecem, devemos prestar os devidos atendimentos a área psíquica, pois se ela adoece, adoecerá sucessivamente a mente, o espírito e também o corpo.
É extraordinário o número de influências que cercam as pessoas sem que elas percebam. Criaturas sensitivas, em maior grau, tendem a somatizar certas percepções e emoções, a conta de ficarem de posse delas por mais tempo, sem dar-se conta da imperiosa necessidade da ciência do controle emocional, da educação e da dissipação do pensamento.
Nesse quesito a dúvida apresenta-se como boa, grande colaboradora dos processos de dispersão, de análise e limpeza do psiquismo.
A dúvida? Questionariam alguns.
Sim, responderíamos afirmativo.
Tudo o que você crê, o controla. E tudo que o controlar demasiadamente, o perturbará.  Duvide de tudo em que você crê e que o perturbe.
A nossa mente pode ser sugestionada de dois modos,

negativa e positivamente.

Quando é sugestionada negativamente, a pessoa viverá num processo conflituoso, insidioso, sempre se queixando da vida, de tudo e de todos.
Algo as vezes de difícil desembaraço.
A dúvida de que falamos, nesse caso, é o duvidar do negativo, a dúvida que desempenha um papel importante de filtragem e seleção para o psiquismo. Devemos estar conscientes dos processos analíticos pelos quais devemos ser conduzidos, pois a fé se funda na convicção e a razão na dúvida, sem que se contradigam. Porquanto a fé cega é aquela que não duvida de nada. A fé raciocinada não é uma fé que raciocina a todo instante para que exista, é sim, uma fé que já raciocinou antes, já duvidou para se estabelecer na razão.
Devemos igualmente duvidar de certos sentimentos negativos que afloram em nós. A dúvida trabalharia de forma profilática, como certos remédios que previnem que certas viroses se instalem e criem patologias mais sérias e de difícil assédio.
Pense um pouco sobre a possibilidade de melhor controlar seus pensamentos e portanto ter maior domínio sobre eles. Comece hoje mesmo a duvidar de certas agonias mentais que lhe incomodam, certas ansiedades que nascem sem razão aparente, certas amarguras e tristezas que aparecem do nada. Será que esses sentimentos pertencem-lhe de verdade? Duvide que você não consiga superar seus conflitos, essas provocações, duvide das suas dificuldades. Duvide das mentiras projetadas por seus pensamentos negativos. Duvide!
Por exemplo, um dos sentimentos agravantes da mente é a insegurança. Pois bem, ela deve ser duvidada, ela deve ser rejeitada. Não que ela não exista, mas na condição de que ela não nos congele as iniciativas, de que ela não deve ser “senhora” do nosso íntimo. Devemos questioná-la, entendendo que dentro das nossas imperfeiçoes, certos tipos de insegurança são normais, todos possuem, mas os que as vencem, são aqueles que duvidam que “ela” os possa dominar.
Devemos ser livres para sentir, mas não prisioneiros dos sentimentos. Devemos submeter a emoção ao controle íntimo, ao governo da sabedoria, nunca aceitando pensamentos que queiram nos desestabilizar, nos fazer pensar de forma negativa a vida. Devemos entender que muito do que nos surge decorre de influências perniciosas e dos nossos próprios defeitos. Devemos querer nos melhorar, querer nos dominar. Devemos dar um choque de lucidez e perspicácia nos nossos medos, nas nossas tristezas, angústias, impulsividade e negatividade.
Somos feitos à imagem do criador, portanto, devemos vibrar nessa representação elevada, positiva, de que somos capazes de grandes feitos, de gestos mais nobres, vencendo nossas inseguranças quando quisermos e acreditarmos ser possível.
Certos sentimentos têm feito muito mal as criaturas, que não se dão conta dos inúmeros prejuízos que eles trazem as suas personalidades. A ansiedade tem sequestrado a paz e o equilíbrio de milhares. Uma alteração originada nomeadamente na mente, que deve ser duvidada. Devemos crer sim na tranquilidade de que somos capazes de alcançar em qualquer situação, devemos crer na serenidade, na nossa calma para superar qualquer emoção que gere o sofrimento psíquico.
O ser humano deveria reconhecer que as adversidades e problemáticas da vida lhes patrocinam lições que amadurecem o espírito, e elas não cessam, são normais e continuadas. Esse estado de entendimento, por si só, deve serenar a criatura, fazendo-a aceder as faixas da harmonização e estabilidade emocional.
Duvidar de sentimentos aflitivos e negativos é nosso dever, pois se, ao nosso redor ocorrem constantemente coisas positivas e que merecem ser valorizadas e comentadas, por que então tendemos a nos agarrar às negativas e até amplificá-las através da consideração que a elas reservamos?
Por que então não duvidar de que certos sentimentos não merecem tanta valorização, principalmente se eles forem declinantes? Por que não duvidar de projeções que estacionem em faixas rasteiras e nos prendem a processos paralisantes?
Entendemos assim que a depressão seja um desses processos paralisadores, uma prostração da alma, que deve fortemente questioná-la, duvidando das suas demandas que fazem tombar, declinar e recusar a alegria do viver.  
Estamos no mundo para reconhecermos a nossa excelência, sem jactância alguma, para entendermos os recursos maravilhosos que temos ao nosso alcance, percebendo qual nossa tarefa, nossos inúmeros talentos e faculdades que permitem desempenharmos o papel de filhos de Deus.
A depressão seria assim um grande conflito interno, a grande dúvida do ser humano em relação a vida que leva, o momento quando o íntimo resolve questionar muitas coisas e a mente afixa-se no lado negativo delas, já que o homem é um ser negativo por natureza, entregando-se aos ciclos depreciativos que abatem a psique.
Tristeza e depressão são na verdade um desentender da proposta da existência. As que nascem de alguma perda e por processos de crises, são entendidas como momentâneas, mas aquelas que persistem por anos, décadas, são na verdade um estado psicossomático da mente sendo conduzida na contramão da vida, mesmo respeitando os processos hormonais e hereditários, aqueles que produzem faltas consideradas no quimismo cerebral, a mente positiva e bem trabalhada será sempre libertadora de qualquer cadeia que queira encarcerar os indivíduos.
Determine ser seguro de si, ter seu psiquismo forte, alegre, para não ser escravo dos seus conflitos, dos remédios psicoativos. Primeiro duvide, depois determine-se a agir com positividade. Determine você o que quer pensar e sentir, não deixe as emoções lhe controlar, volte a sua atenção para longe dos pensamentos doentios e concentre-se em construir seu íntimo e não arrasá-lo.
Se faz importantíssimo vibrar no diapasão da saúde, da alegria, do equilíbrio e do amor psicofisicoemocional, para que nos libertemos o quanto antes desses processos castradores e ilusórios que declinam as nossas potencialidades. Devemos sim, fortalecer as nossas crenças no que vitaliza e educa positivamente a nossa mente, podendo o Espiritismo nos ajudar bastante a entender o que se passa genuinamente dentro de nós.

Muita fé, disposição e saúde mental.                


Alfredo Dantas
Mensagem recebida na reunião mediúnica dos trabalhadores da FEIS no dia 24 de abril de 2015, pelo médium Jorge Antônio

quarta-feira, 15 de abril de 2015

ENGANO


Engano

As possibilidades de engano perante a vida é enorme!
As limitações do homem para entender tudo que se processa ao seu redor é intensa. Suas concepções errôneas se fazem repetidas e recaem sobre os mais variados raciocínios.
Mesmo entre os doutos e cultos os enganos se fazem constantes.
Se analisarmos a ciência da Terra, embora ela tenha demovido da mentalidade humana o primitivismo supersticioso e catapultado o progresso, veremos que também enganou-se diversas vezes, atestando erros e absurdos ilógicos por falta de conhecimento a época. Provavelmente algumas das teorias modernas que hoje vigoram como verdades absolutas, também se mostrarão errôneas futuramente.
Dessa forma se engana-se o homem com erros de cálculos lógicos, cogitemos o que deve ocorrer através das suas percepções sensoriais, que podem desencadear toda sorte de afetação psíquica e sentimental?
Como está imerso num universo para ele cheio de mistérios e áreas ainda inexplicáveis, podemos afirmar  que o homem está sempre sobre terreno de pouco domínio, movediço até, no que diz respeito as interpretações das forças influentes e das milhares de eleições sobre a realidade dos fatos.
Se então tratarmos do universo mental, reconhecendo os bilhões de neurônios em sinapses que vigoram junto as formas-pensamento, conduzindo e alimentando o psiquismo humano, estaríamos perdidos em maior labirinto ainda.   
  Portanto, se os enganos são relevantes dentro do ambiente material e psíquico de governo humano, imaginemos os enganos quando o homem trata das coisas ocultas baseado nas suas faculdades perceptivas e anímicas?
Dessa forma a atividade medianímica é um exercício seletivo, onde deve haver análise constante, decomposição, eliminações, eleição conscienciosa, pesquisa e principalmente calma para revelar as coisas, passando-as sempre e primeiramente pela peneira das finalidades e pelo crivo absoluto da razão.
Como o engano é inerente ao homem, ao médium é quase um ensino pontual, já que os médiuns, sem exceções, passam por momentos de descuido, de afetação, de desejos desordenados, de excitação do ego, de influenciação mental, devendo portanto tomar certos cuidados para não se tornar presa fácil da presunção de se julgar abrigado do erro.
Se o médium passa constantemente por algo que chamaríamos de “trama mental”, onde ele deve confrontar-se, abatendo seus medos e inseguranças e confiando na Espiritualidade, deve ele também atinar para uma crítica sincera, destituído de todo e qualquer sentimento de presunção, filtrando os signos que chegam acelerados ao seu pensamento, encontrando a real finalidade do que seja aproveitável e o que não passa de uma excitação anímica para que ele deixe passar somente a mensagem essencial, diferenciando-a daqueles substratos da sua mente e das mentes negativamente influenciadoras.
Os médiuns que a qualquer impulso cedem instantaneamente sem atinar aos devidos cuidados de uma comunicação, não percebendo os fluidos dominantes que o cercam, tendem a ser como o fósforo que logo se acende pelo atrito gerando a chama, para apagar-se em poucos  instantes sem muito clarear.
Da mesmíssima forma devem ser cautelosos os que recebem as mensagens e pretendem fazer uso delas, seja para esclarecer, seja para advertir, seja para prevenir, devem sempre acastelar todas ao filtro do amor e ao crivo da razão.
O erro mediúnico é muito comum e faz parte do processo de desenvolvimento do médium. Ser médium criterioso, operativo no bem, integro, consciente e responsável não é fácil, pois o terreno de trabalho é quase sempre escorregadio, permeado por dúvidas internas e envolto em uma série de percalços que requerem do portador da mediunidade estudo, vigilância constante e humildade para reconhecer suas limitações e a necessidade da proteção e auxílio devotado dos Amigos Espirituais, guiando-o e esclarecendo as controvérsias do próprio comportamento, para que não se afaste da senda da caridade e não deixe desenvolver em si as faixas ensombradas do individualismo ineficaz dos que pouco produzem.                

Alberto Fonseca
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 31 de março de 2015 pelo médium Jorge Antônio

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AMIGO


Amigo

Não há nada mais sincero que uma amizade verdadeira, nada mais contagiante que ser eleito pelo vínculo afetivo da autêntica amizade.
O amigo é capaz de olhar para nós e descobrir o que temos de melhor, mesmo escondido entre as nossas tantas precariedades.
É fato que o verdadeiro amigo já descobriu o que temos de pior, sabe nossos defeitos, conhece nossas distorções, mas preferiu ver as nossas pequenas qualidades como algo maior, motivando sempre o melhor em nós.
Quando tudo foge do alcance da pessoa, é a amizade verdadeira que a sustenta e a ajuda a ultrapassar os momentos difíceis.
Aí de quem não tem amigos de verdade! Aí de quem não sabe ser um amigo verdadeiro!
A amizade é um presente de Deus como a companheira devotada dos homens.
Sem ela não somos muito, com ela podemos tudo!
Sempre modesta, sai de cena para que se destaque aquele a quem tem carinho.
Quando estamos desacreditados por todos, o amigo verdadeiro nos dá crédito.
Quando a tristeza nos abraça com seus braços viris e não nos deixa ir, o bom amigo sabe como ninguém nos livrar das mãos da melancolia.
Ele ampara na fraqueza e bem aconselha nos momentos de desarmonia.
Vibra com nosso sucesso e torce pela nossa realização, sem jamais ser afetado pelo ciúme invejoso.  
Não se enfraquece com as distâncias, nem precisa estar sempre presente ao nosso lado, porém sabemos que podemos contar com ele nas nossas necessidades.
Além de tudo que nos proporciona a autêntica amizade, o amigo verdadeiro ainda nos possibilita a chance de praticar o amor genuíno que deveríamos exercer para com o nosso próximo e ainda não temos condições de praticá-lo com todos a nossa volta, assim, o amigo nos possibilita exercitar diversas qualidades latentes em nós, e caso errem conosco, o que é muito comum, nos possibilitam colocar em prática a mais nobre delas, o perdão.
   Ninguém que possa ser feliz caminhando com indiferença à amizade. Pobre daquele que não se deixa cativar e a ninguém se afeiçoa como amigo. A amizade é um bem simples, que vitaliza e escora as pessoas.
Em uma época onde a comunicação se tornou tão fácil, ela também sofre com o artificialismo do meio, contanto, cultivar a verdadeira amizade é dever de todo aquele que estima a companhia humana, devendo se fazer e saber reconhecer a verdadeira amizade, pois ela só cresce numa via de mão dupla, onde dar e receber é o caminho natural e respeitado por ambos.
Se você já descobriu na convivência e na intimidade o que é ser amigo e sabe respeitar e reverenciar aquele que lhe nutre com a sincera amizade, parabéns, você já atinou para uma preciosidade da vida, reconhecendo a companheira devotada e fiel dos homens... A amizade!
  
Anastácia
Mensagem psicografada na quinta-feira no dia 27 de março de 2015 pelo médium Jorge Antônio

quinta-feira, 26 de março de 2015

ECO ÍNTIMO


Eco Íntimo

Sem equívocos, a maior liberdade conquistada pelo espírito é a consciência em paz.
Causar mal a alguém é deter-se no tempo, afivelado por uma contingência de acontecimentos que cedo ou tarde nos alcançarão, colocando-nos frente a frente com o sofrimento.
Perseguir alguém é ser também perseguido, é atanazar a própria alma passando num dado momento de caçador a caçado. O mal que existe de forma intensa em nosso meio, predomina também no nosso psiquismo e consequentemente retornará ao ambiente em que vivemos influenciando-nos na desventura.
De forma inaudita o Universo é composto de leis invioláveis, que o regulam e o mantêm nos ciclos progressistas. Tudo que estagna, tudo que estaciona pelo caminho, paralisa a marcha, devendo portanto conhecer os impulsos da dor para que haja substituição de valores e desenvolvimento.
Muitos desvios de conduta que observamos, nascem em certas pessoas pela confiança de que certos fins justificam os meios, mas a prejuízo de outrem e a proveito de si mesmo, nenhum meio pode legalizar algum fim digno. Somente a maturidade espiritual adquirida pelas múltiplas existências, pode despertar o senso de justiça e a substituição daquilo que cause mal ao outro pela ação que ocasione simplesmente o bem. Essa substituição de valores ocorre silenciosamente nos bastidores da consciência, através de provas que o espírito sofra, simples ou acentuadas, positivas ou negativas, que farão com que o ser adquira novos sentimentos, novas formas de pensar, novas atitudes.
Chegaram armados e o tomaram para levar preso, logo após o beijo de traição de Judas, que O identificou como àquele procurado pelo Sinédrio. Pedro estendendo a mão puxou da espada que trazia e feriu um daqueles. Jesus então reprendeu a Pedro e lhe disse,” Pedro, embainha a tua espada, pois quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
O mestre não disse a Pedro que ele poderia ou não ser ferido, Jesus lançou naquele momento de uma certeza como lição inesquecível, um verdadeiro preceito expresso em forma de sentença universal. Aquilo que intento e faço, daquilo mesmo e na mesma medida é o que retornará a minha pessoa. Essa máxima se compreendida integralmente, livraria os homens de muitos dos contratempos e infelicidades que tanto os desgastam e os fazem sofrer.
Na verdade todo mal que fazemos a outrem, fazemos inicialmente a nós mesmos. É uma ação encadeada, que gera uma qualidade de energia, que desde o ato em si já principia o envenenamento do ser, primeiro sofre a consciência culpada que é martirizada pela ação infeliz, depois sofre novamente o corpo que se abastece de sentimentos insalubres bloqueando, mesmo sem sentir, o ótimo e justo funcionamento orgânico, entrando em choque com uma inumerável e desconhecida alteração hormonal, que provoca desde mudanças no humor, as mais complicadas patologias que não são facilmente identificadas de forma clínica.
Dito isso, imaginemos o que se passa então com aqueles que cometem crimes brutais, como esses cheios de requintes de crueldade e violência de que temos notícia. Mergulhemos ainda mais profundo nas nossas análises e imaginemos a agressão íntima, depois que a consciência finalmente se der conta do ato incidido, o que sentem esses que perpetram crimes horrendos contra os próprios familiares, aqueles mesmo que os amavam e nutriam por eles simpatia. Inimaginável não!
Assim meus caros, as verdadeiras vítimas são os agressores, que perdidos no momento da cólera e escoimados por mentes mais perversas ainda, deslizam aos desfiladeiros trevosos dos crimes. Será que podeis realmente estimar as paredes que aprisionam essas mentes em sofrimento dantesco, que as despedaça internamente em lapso, que rechaçam as suas almas, desnutrem as suas forças todas e abatem a própria sanidade, transformando-os em zumbis da sociedade, portadores da dor latente do remorso, consubstanciado pelo ir e vir irrefreável da culpa que os martiriza e prostra com todo tipo de psicoses depois do ato inominável.
Mesmo aqueles que julgamos insensíveis, que mostram não estar nem aí pelo que praticaram, isso é apenas uma máscara assumida que um dia irá cair, que requerendo esconder a consciência do seu ato com o encontro com a realidade, assume diversas fugas de identidade. Só que a ação gerada, quanto mais se demore para ser conscientizada, com mais força reagirá acordando as culpabilidades em dor intratável.
Portanto, não nos enganemos mais, toda vez que emitimos um sentimento inferior em uma direção, ele tende a regressar com maior força de volta à fonte emissora, tal qual um bumerangue.
Da mesma forma que sentimentos de ingratidão, raiva, mágoa e ódio sempre nos alcançam pelo caminho, o mal intitulado pela força da ação e reação volta a nós como ensinamento inolvidável transmudado em dor.  
Tudo regressa a nós, tanto as parcelas do mal, como as do bem.  Só que o bem e o amor nos acastela nos sentimentos seguros da fraternidade, erguendo os nossos espíritos, nos deixando provar das suas doces alegrias.
Estejamos hoje e sempre prontos a transformar, junto ao laboratório íntimo do coração, nossos sentimentos malsãos em sentimentos proveitosos e positivo. Para o nosso bem e para o bem da nossa paz espiritual.
Que assim possa ser!
     
Alfredo Dantas
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 18 de março de 2015 pelo médium Jorge Antônio.

quinta-feira, 12 de março de 2015

ELE É


Ele É

Quando tudo parece desabar e o peso do mundo te dobrar ante os sofrimentos. Ele é a sustentação da alma.
Quando as ansiedades abatem o equilíbrio da mente e confundem. Ele é o sossego reorganizado o íntimo.
Quando o medo apavora e traz incertezas. Ele é a coragem que direciona os passos.
Quando a perturbação desmantela e a loucura do instante tenta derrubar a sanidade. Ele é o ideal suporte no alcance da harmonia pessoal.
Quando os adversários atacam com crueldade e sem trégua. Ele é a lição que exemplifica o perdão aos corações mais duros.
Quando a ingratidão fere e mágoa. Ele é o manancial de conforto e recompensas.
Quando a fé falta. Ele é a certeza de tudo.
Quando a dor visita cortando na carne e extenuando o corpo. Ele é o remédio que restabelece a vivacidade.
Quando a calunia fere e as palavras insultam. Ele é a renovação da estima erguendo os destratados.
Quando as celas prendem. Ele é a liberdade.
Quando os vícios perseguem. Ele é o desatar dos nós.
Quando o mundo nega. Ele dá.
Quando a escuridão proíbe de ver. Ele é o acender das luzes.
Quando a solidão bate. Ele é a companhia ideal e necessária.
Quando o orgulho toma dianteira. Ele é a humildade que restabelece seu lugar.
Quando a tristeza golpeia e a depressão despedaça. Ele é quem reúne, pedacinho em pedacinho, colando-os num novo e mais bonito vaso.
Quando o rascunho termina. Ele é quem principia a obra prima.
Quando as lágrimas choram. Ele faz o coração sorrir.
Quando o ódio envenena. Ele estimula os amores esquecidos da vida.
Quando a vingança persegue. Ele une e liberta.
Quando a estrada desaba. Ele é o caminho da esperança.
Quando a mentira atraiçoa. Ele é a verdade constante.
Quando a morte chega. Ele é a vida que não se perde.
Em todos os momentos quando a existência parece enfraquecer, quando o mundo atropela os sentidos e quando as questões afligem abatendo a alma, Jesus É e sempre será a resposta para os maiores desafios, temperando o coração, corrigindo o espírito, endireitando-lhe os passos na senda do amor, da compreensão e da luz.
Não se abata. O seu pior momento na vida é sempre o seu melhor momento de melhorar, descobrindo-O no íntimo.

Anastácia
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 03 de março de 2015  pelo médium Jorge Antônio

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PÉS DESCALÇOS



Pés descalços


Começava um novo ano. Caminhava sozinho na areia da praia deserta, mantinha um diálogo confuso consigo mesmo. Era envolvido por inumeráveis questões que lhe desafiavam a mente.

De repente, sentindo a necessidade de parar, respirou profundamente a brisa do oceano. Aquietou-se e olhando de dentro para a natureza percebeu que as ansiedades o afogavam num mar de sentimentos desencontrados.
Sentou-se na areia e sentiu a água do mar molhar seus pés descalços. Serenando, deixou que o silêncio tomasse conta por instantes. Logo reiniciando o diálogo íntimo interminável. De repente, porém, sentiu algo diferente... Era como se conversasse com alguém, alguém que emanava paz e saber.
E como se perguntasse a si mesmo para obter respostas que ainda não compreendia, disse:
-  Que dor é essa que sinto mas não consigo identificar? E a voz que vinha de dentro da sua mente respondia indulgente...
-   É a dor da insatisfação que asfixia os humanos. Eles estão concentrados no ter, no querer e experimentam a tremenda pressão das suas necessidades não satisfeitas.
-  Mas acho tão difícil viver nessa sociedade...
-  Difícil seria não viver, não ter vida! ...Diria que viver sem se enganar, sem se iludir. Isso é que é difícil.
-  Mas me sinto abatido, como se as minhas forças estivessem  acabando, indo embora!
-  Seu problema e o da grande maioria, é o apego a negatividade.
Não podemos negar que, no fim das contas, essa idéia da mentalidade totalmente sadia e positiva é inadequada para esse planeta. As influências são muitas para que isso aconteça. Os espíritos que os cercam, com superioridade em número, estabelecem alcance e controlam sentimentos e pensamentos. Inegável isso! Contudo, de certa forma, isso explica uma porção genuína da realidade desse globo. De que falta as pessoas certa consciência do todo. Que elas devem ficar mais alertas para não considerar uma coisa falsa como real, vivendo nas somas das muitas ilusões.
-  Mas não é fácil isso! Como você diz, as influencias são muitas...
-  Não! Não é fácil! Também não é difícil! É dificílimo! Mas é um exercício capital. Possivelmente a única maneira para abrir a mente para os níveis mais profundos da verdade.
-  Porque você diz “possivelmente”? não tem certeza disso?  
-  Esse é exatamente o problema do ser humano, ele quer saber tudo na sua totalidade, ter certeza de tudo. Quando digo possivelmente, estou lhe dizendo “de um modo possível”, mas o mundo, o seu mundo, é cheio de opções.
-   Entendo...
-  Em outras palavras, estar alerta é identificar as coisas que o cercam e defini-las para você. Não importa o que elas representam para os outros, mas o que elas significam para você. As pessoas se imitam tanto que nem percebem quando perdem a própria identidade. Você tem que avaliar se para seu “eu” uma coisa é boa, mau ou indiferente. Não é identificar o que você quer, pois isso às vezes é mero capricho do ego, mas identificar se é bom, mau ou indiferente para o seu espírito. 
-  Como assim?
-  Se você faz essas observações tem mais poder e controle sobre si mesmo. O observador, aquele que define as coisas, tem mais controle sobre aquele que o tenta influenciar. O influenciador obtém mais controle quando o observador deixa se entusiasmar, ou, teima em se manter na ausência de conhecimento. Aí é pior, pois o observador é manipulado e não quer nem saber disso.
-  Muito complexo...
-  E você acha que essas manipulações são apenas um conjunto de coisas sem nexo? Tem tantas coisas ligadas a elas num nexo comum, que as fazem complicadas, mas na verdade o observador é mais real e detém maior controle das coisas. Ele que ajuíza. Por isso é tão imprescindível a conscientização das pessoas para uma mudança das energias.
-  Ainda vagando...
-  Tudo bem. O vício que você tem é bom, mau ou indiferente ao seu espírito?
-  Mau, tem me prejudicado!
-  Então combata-o! Tente evitá-lo. Esteja alerta para o identificar e ir coibindo-o.
-  Não é fácil!
- De novo - Não é fácil! Também não é difícil! É dificílimo! Mas é um exercício de capital importância para libertar seu EU! Ou faz ou vive no prejuízo das emoções!
-  Verdade!
-  Mentir é bom, mau ou indiferente ao seu espírito?
-  Mas minhas mentiras são tão ingênuas...
-  Não foi essa a pergunta, nem lhe acusei de nada. Mas vou reformulá-la. É melhor ser real ou fingir alguma coisa?
-  Acho que ser real deve ser melhor, deve ser “bom” para o meu espírito.
-  Então tente! Fique alerta! Pois tudo que é dissimulado abandona a realidade e cria outra, que é falsa.
-  Mas tem coisas que tentamos ardentemente ocultar. Até para nos defender. Não?
-  Seja apenas você! A energia que se gasta para criar uma imagem apresentada agride de certa forma o espírito. Qualquer mentira que você adote na ilusão de se proteger do mundo, deve ser confrontada, exatamente por não ser real, por ser ilusão.
-  É... tenho lutado contra meus defeitos, contra as minhas fraquezas, mas não é simples abandoná-los.
-  Você se questiona sobre eles. Que bom, isso indica que não está satisfeito. Não se pode é ficar nos questionamentos sem querer agir, sem querer mudar, como uma criança birrenta. Olha aí o que a vida tá te dizendo. Ela sempre fala ao nosso ouvido. Basta escutar. Quando exercita a consciência plena sobre suas maneiras e seus pensamentos, com um tempo nesse exercício você progride. Você se experimenta de uma nova maneira, em lugar de aceitar as coisas que vêm de dentro passivamente e agir tantas vezes de forma repetida e automatizada, você detém controle sobre elas, obtém percepção do motivo pelo qual se comportava de certa forma e com isso entende melhor também as outras pessoas e suas fragilidades. Essa compreensão torna-o livre, te dá forças e mais objetividade na vida. Em outras palavras, você desperta.
-  Vou tentar atingir isso. Todavia a gente se esquece.
-  Não tente, faça apenas. Abandone o ciclo autoperpetuador. Você não tem que gastar muita energia com isso, despender muito esforço. Apenas fique alerta! Se deixou passar algo, tudo bem, mas volte o mais breve ao estado de vigilância dos seus sentidos. Você nem precisa entrar num estado deliberado de meditação sobre isso. Por si mesmos, seus sentimentos, atitudes e pensamentos positivos criarão mais sentimentos, atitudes e pensamentos positivos. O mesmo se dará em situações negativas, o princípio da perpetuação é igual.
-  É uma luta viu!
-  Perceba que só há luta quando há oposições.
-  Verdade.
-  Do lado de cá percebemos facilmente quantos papéis o ser humano vive numa existência.
-  O processo de mudança é inevitável eu sei. Aquela coisa de ou vai “pelo amor ou pela dor”.
-  Fatalmente. Mas o processo de mudança acontece diferente para cada um de nós, sempre em níveis. Emocional e psíquico. Vamos aprendendo a nos tornarmos um tipo diferente do que somos hoje, melhor e mais conscientes, claro. No lado emocional, temos que abandonar nossos medos, comportamentos derrotistas, crenças tolas, ilusões, atitudes erradas. Temos que parar de nos sabotar. Mas a verdadeira mudança ocorre mesmo no nível psíquico, naquele relativo ao espírito, junto as suas faculdades morais e intelectuais. Ela motiva, quando consciente, uma mudança radical de identidade além da personalidade humana,  pois atua na alma.
-  Porque então tantas pessoas combatem o Espiritismo? Porque enfrento tanta oposição dentro da minha família?
-  Combatem as vezes o que desconhecem em profundidade. Apenas acompanham, sem sentir, uma corrente qualquer. Também certas crenças levam alguns ao fanatismo de ideal. Outros o combatem por apego a realidade que criaram para si, por ignorância. Mas, inevitavelmente o despertar do lado espiritual chegará para cada um.
-  Penso que já estou buscando o meu!
-  Lembre! Uma busca completa leva tempo!
Tinha sido um bom diálogo. Agora ele se afastava, de pés descalços, cheio de interpretações e vontades, agradecido aos influxos que vieram não sabia de onde, não sabia por quem.
É um prazer enorme, quando o espírito por quem temos afeição e cuidados, decide ouvir a comunicação de dentro. Percebi em mim mesmo que esse era realmente um novo ano que iniciava, um ano de mudanças, não só para ele, mas para muitos que como ele desejam a luz. Senti que as coisas caminhavam para transformações. Serão anos difíceis talvez, esses que nos aguardam, mas preciosos de aprendizado. Alguns serão marcados pelo despertar, mesmo que pela dor, mas essa humanidade têm que enfrentar essa “dor comunitária” para reduzir o orgulho e o egoísmo que ainda prevalece nela. É tempo de mudanças, de gentileza,  e, de esperanças.
Ainda na praia, me perdi na exuberância da natureza. Percebi num instante que estava tudo ali, tão fácil, tão informal. Alegria desmedida, abundância e respostas no silêncio da calma que o oceano ajuda a embalar com suas ondas, como se ninasse todas as ansiedades humanas e fizesse dormir o homem, essa criança mimada. Mas necessitei morrer o corpo e estar espírito para perceber a simplicidade do viver.
Restou-me olhar a vastidão do céu azul que emoldura formosamente essa Bahia e agradecer ao Bom Deus as oportunidades que temos tido para crescer e reexperimentar os mesmos erros, decidindo por nós mesmos se queremos continuar com eles, se são para nós bons, maus, ou, indiferentes.       
 
Simão

Mensagem recebida no dia 13 de janeiro de 2015, pelo médium Jorge Antônio.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O TESOURO



O Tesouro

Abelardo mandara cavar grande buraco no jardim da sua casa, onde todos já aguardavam impacientes a piscina, que seria a felicidade dos filhos pequenos.
Enquanto a máquina revolvia a terra com grande barulho, nosso irmão notou algo brilhante. Como o tratorista se afastava com a pá cheia de terra, desceu no declive sujando os sapatos, para descobrir que tratava-se de um baú soterrado. Era daqueles de madeira, ornado com artefatos de prata, que reluzia uma lingueta de chave antiga.
Rápido, para que nenhum operário visse o tesouro que ocultava nos braços, levou o baú para os fundos, direto à garagem.
Sua mente então desdobrou-se em imaginações. Que continha aquela caixa maravilhosa? Talvez uma fortuna em ouro escondida pelo antigo dono da propriedade. Ou quem sabe, moedas raras. Algum mapa indicando alguma riqueza maior... Seus olhos brilhavam.
A caixa por si só já deveria valer um bom dinheiro no antiquário. Era de madeira de lei, pesada, maciça, bem desenhada nos arabescos que lhe decoravam inteira. Como fivelas, eram passadas a sua volta dois traços de prata, com a fechadura no meio saltando para fora. Era um capricho.
Absorto, parecia uma criança quando recebe novo brinquedo. Ansioso por descobrir os segredos que continha o baú, forçou a fechadura sem sucesso. Estava trancada e bem trancada.
Excelente artesão deveria ter confeccionado a pequena arca. Soube reconhecer de imediato o talento do artista que tinha moldado aquela Jóia.
Cauteloso, munido das ferramentas certas e com uma flanela felpuda para não ferir a madeira, foi forçando devagar a tranca. Pouco em pouco esta foi cedendo a força do malho e finalmente abriu.
Para sua surpresa a caixa continha um livro, como que embalado para presente. Desapontado, rasgou o papel finamente decorado e descobriu em sua mãos “O Livro dos Espíritos”. Junto a ele veio um bilhete que lia assim:
“Fui Livreiro e toda minha vida dediquei aos livros. Sustentei a família, eduquei os filhos e netos com a venda de livros.
Esse foi o exemplar mais raro que me chegou as mãos. Sua leitura fez mudanças incríveis e maravilhosas em minha vida e na vida da minha família. É indiscutivelmente um grande e meu único tesouro!
Escondo-o assim na terra e rogo aos Bons Anjos que, algum homem de sorte grande, encontre esse tesouro um dia, pois eu, podia tê-lo presenteado a alguém, mas não o quis fazê-lo, já que, poderia escolher alguém que não o merecesse de verdade. Assim, prefiro acreditar no destino. Não no acaso! Que afortunada pessoa, que dele muito precisa, haverá de achá-lo. E ele, o livro, haverá de transformar a sua vida, como a minha transformou. Trazendo-o a maior riqueza que um homem pode desejar, ...o esclarecimento!”
Abelardo, de início desapontado, depois de lido o bilhete, ria-se satisfeito.
Mandou então limpar a caixa, lustrar o prateado dela e colocou-a bem a vista, no móvel da sala, aberta, com o raro livro dentro.
E não é que o Livreiro tinha razão!
Com o passar dos anos aquele livro tornou-se grande tesouro para toda família, que lendo-o, mesmo que por pedaços, vieram a conhecer a Doutrina dos Espíritos e amá-la, modificando às suas vidas, colocando luz e entendimento nas suas consciências.
Positivamente Abelardo encontrara um verdadeiro tesouro, pois que, a riqueza que o livro lhe trouxe, levou com ele para a outra vida. Coisa que nem o ouro nem a prata admitiriam. E lá chegando, teve a satisfação de conhecer e poder agradecer em pessoa, o gesto singelo, criativo e caridoso do bondoso Livreiro, manifestando por ele grande admiração e amizade.   


Antônio Augusto
Mensagem recebida na mediúnica da FEIS no dia 10 de fevereiro de 2015 pelo médium Jorge Antônio

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