Esses filhos do mundo
Não
és semente plantada por mim. Mas vieste alimentar a minha vida em todos os
sentidos e formas.
Não
surgiste do meu ventre, mas foste do meu pensamento noite e dia.
As
dores da gestação não as tive. As estocadas do teu movimento dentro de mim, não
as pude sentir.
Não
residiste nas minhas entranhas, mas estiveste guardado na minha retina mesmo
antes de existir.
Os
nove meses de espera, nutrindo-o através do meu eu, não fui capaz de dar-te.
O
primeiro choro, esse grito abismal daqueles que chegam a essa terra ingrata
assustados, não estava lá para ouvir.
Nem
pude doar-te o primeiro beijo de amor incondicional que as mães dão aos recém
chegados ao mundo.
Daí
que não pude abraçar-te para lhe suprir as primeiras carências e confortar-te
de encontro ao meu peito.
Não,
de nada disso tive privilégio.
Mas
digo-te o que tive!
Tive
noites insones quando febril debatia-te choroso e meu coração contigo chorava.
Não
pude amamentar-te do meu seio, mas alimentei-te, não somente com os nutrientes
para o pequeno corpo, ainda com os da grandeza da alma e dos sonhos.
Não
te carreguei nos primeiros dias, carreguei-te durante todos os outros, da
infância, quando jovem e já homem, pus-te no colo de toda a minha ternura.
Nossos
sangues são diferentes? Penso que não, pois cada pequeno corte teu, minha boca
beijou e assoprou tua seiva, intentando parar teu choro e meu amor foi bálsamo
para essa e tantas outras cicatrizes que a vida te deu. A ti e a mim, talvez
com maior dor que a tua própria, pois cada sofrer teu, era o meu em dobro!
E
quando tu dizias querendo homenagear-me, “não tenho voz, pena que não sei
cantar...”. Eu pensava, não sejas tolo filho, pois cada vez que dizes mamãe,
cantas para mim com a voz de um anjo a maior melodia que meu frágil coração
quer ouvir.
E
tuas vitórias, assim como foram nas dores, eu as vivi cada instante e
conquistei contigo todas as odes, em ti vivi os sonhos e as alegrias do namoro,
juntos e inseparáveis conquistamos aquele diploma de médico.
E
me disseste ainda moço, “Mãe como queria ser rico para doar-te o mundo!”, eu,
lacrimosa de contentamento, pensava, sois bobo menino, já me deste o mundo!”.
Àquele da felicidade de tê-lo como filho querido e nenhum tesouro pode
comparar-se a esse, entronando em minha existência a generosidade da tua
presença.
E
quantas noites furtivas quedei-me a observar-te dormindo, acariciando-te os
cabelos doirados na penumbra do quarto, lançando meu olhar aos céus para
agradecer, “Ó Deus, obrigado por ele ser meu!”. Da mesma forma que tu
necessitas do ar para viver, eu necessitei de ti para respirar.
Você
meu filho foi um presente divino. Hoje sei que, mesmo os insignificantes como
eu, são também mimoseados pelo amor do Pai, pois o nosso encontro foi uma
definição do destino milagroso para que minha, antes triste vida, fosse ornada
de alegrias.
Confesso
que às vezes ouço os anjos sussurrarem aos meus ouvidos, “mãe adotiva que cuida e ama o filho abandonado por outra, é a bem querida
por Jesus”. E me rio! Choro alegre e rio, dou risadas de aleluia.
E
enquanto acaricio o teu rosto, percebo no espelho que o meu já vai
encarquilhado pelos anos, mas sei que bem vividos, todos dedicados a amar-te
até a última gota do meu cálice.
Não!
Não chores por mim meu filho! Nem eu devo chorar! Choraria dessa não natural
tragédia, de uma mãe ter que sepultar seu filho querido. Juro que não
suportaria tal dor e morreria, mas o Bom Deus privou-me de algo assim. Então
digo, um filho, sepultar a sua velha mãe de coração já fraco, é algo tão
natural nessa vida. Assim, não chores, mas ao contrario, alegra-te porque já
vou à frente preparar-te o lugar junto a Jesus. Plantarei as flores mais
perfumadas na soleira da porta e aguardar-te-ei paciente, te vendo vencer os
desafios da sua lida, sabendo que herdaste a educação fiel que reservei na alma
doce e justa que conheço palmo a palmo.
Não
chores por mim filho, chores por esses filhos sem mãe, ou, por essas pobres
mulheres que abortaram ou abandonaram os seus filhos.
Não
chores por mim querido, pois aqui parte uma alma satisfeita em ter vivido, com
a certeza de no outro lado me espera a graça do dever cumprido, pois minha vida
foi franqueada totalmente ao amor de ser mãe.
E
posso dizer que tu és o meu filho legítimo. Talvez não daqueles nascidos do
ventre, mas muitas mulheres pariram indignas de ser mãe. Tu és meu filho do
coração, e, desse posto, jamais saíras. Serás sempre meu filho amado, e eu, a
tua mãe querida!
Bendito
Senhor, esses pais e mães adotivos que testemunham a pureza do teu amor,
recebendo uma alma para cuidar e chamar de filho, pois adotar é gerar com o
coração!
Gildate
Mensagem
recebida na mediúnica da FEIS, terça dia 29 de julho de 2014 pelo médium Jorge
Antônio
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