Em nome da liberdade
De todas as conquistas humanas a liberdade é uma
aquisição relevante, um direito que se consolida de forma a edificar a
sociedade terrena.
Infelizmente ela ainda é restringida a um grande
número de criaturas, que sofrem pressões políticas, sociais e econômicas, minimizando
ou mesmo proibindo-as do gozo pleno da liberdade. Na era da contemporaneidade e
de tantos avanços cientifico-tecnológicos ainda testemunhamos o trabalho
escravo, povos prisioneiros das tiranias e dos radicalismos, guerras
fratricidas submetendo os indivíduos a todo tipo de sujeição e ameaças.
Na verdade a liberdade tem um significado profundo
que não pode ser afastado da memória. Ela é um anseio perene do ser humano.
Elemento essencial ao progresso consciente do ser, sendo através
do livre-arbítrio o importante desenvolvimento das escolhas e condutas que hão
de lhe moldar os procedimentos apropriados do futuro junto a uma existência
sadia.
Não obstante, nesse afã de libertar-se e ver-se autônomo
perante a sociedade e o mundo, os indivíduos partem para a independência de
princípios enganosos criando vínculos com submissões doentias, deslembrando dos
deveres a título de permitir a expressão reprimida, consignando exemplos de
desajuste, irresponsabilidade e desgovernos do eu.
Em nome da liberdade de expressão milhares de jovens
entregam-se a ilusão das drogas numa fuga das perspectivas lúcidas da existência,
partem em busca das fantasias viciantes que desvirtuam, escravizam e
matam.
Em nome da liberdade financeira, na corrida pelos
valores amoedados, os homens atuam desonestamente, corrompem-se, trabalham
escravizando a si mesmo e aqueles que os amam, depravam-se prisioneiros
atraídos pela felicidade passageira do dinheiro e dos bens materiais.
Em nome da liberdade sexual procuram relações
imediatistas que lhes satisfaçam o prazer e a ânsia animalizada do sexo. Sem importarem-se
com o sentimento alheio, inspiram paixões doentias, alienam-se, patrocinam
enfermidades do corpo e da mente e favorecem o desamor, a promiscuidade, o aborto
e os crimes passionais.
Em nome da liberdade o homem agride-se culturalmente
de variadas maneiras, disseminando através de uma propaganda desatinada todo
tipo de desajustes contra as forças equilibradas e mantenedoras da vida,
perpetrando as dependências infelizes e os conflitos psicológicos que elevam as
taxas de angustiados, depressivos e vítimas do suicídio.
Em nome da liberdade o indivíduo diz o que quer
dizer, sem preocupar-se com a veracidade do que está sendo exposto aos outros,
desfazendo assim a fé entre as criaturas, desprezando a lição do dizer
correspondente à vivência no próprio exemplo. Aquele que faz parecer o que não
é e se mostra com os valores que ainda não possui, engana mais aos outros,
motivando desconfianças, dor e conflitos, do que aquele que se mostra
legitimamente com os seus defeitos, que reconhece-os publicamente e mostra-se
empenhado a transformar-se. O mundo já perdeu bastante por causa da boca dos
teóricos e religiosos estudiosos que não exemplificam o amor, a caridade e a verdade
que anunciam veemente, preocupados apenas em garantir apreciadores nos seus
discursos.
Em nome da liberdade de mostrar ao mundo a sua
vitória, os seres humanos partem em busca dos seus sonhos de sucesso e felicidade,
e, frustram-se caso as coisas não aconteçam conforme o planejado. Nessa pressa
e apetite para alcançar o êxito, deslembram da própria essência, do porque que
vieram ao mundo, olvidam as lições preciosas ao espírito que com mais uma
existência na carne lhe franqueia importantes estágios. Esquece que Deus nada
faz de errado, mas ao contrário, colabora sempre em favor da educação das criaturas,
seus filhos, que rebeldes não aceitam sofrer e almejam o que talvez ainda não
tenham feito por merecer, que tomam posse de forma extrema daquilo que não lhes
pertence e que se envaidecem com as conquistas que não são realmente suas.
Para crescer com entendimento e
razão é imprescindível ao homem não lhe ser negado a liberdade de escolha.
Contudo, é necessário que ele entenda bem o significado de liberdade. Em nome de
uma liberdade enganosa, observamos uma sociedade vitimada por valores levianos
e superficialistas, por passatempos caóticos, paixões ignóbeis e horizontes de
prazer e loucura.
Muitas seriam as definições para liberdade, mas na
nossa humilde maneira de ver a liberdade de forma autêntica, ela seria o
respeito profundo pelo próximo, o ideal superior sempre animando toda e
qualquer decisão, a consciência plena da igualdade entre os povos e raças, a
força da satisfação pessoal acatando a força do direito do outro, a
dignificação do indivíduo na sua constante batalha pela sobrevivência e pelo
autoconhecimento, o estudo desimpedido e desapaixonado produzindo a certeza da
imortalidade alforriando as ciências e mentes da terra, a responsabilidade do
livre-arbítrio e o amor mediando todas as relações e contratos do mundo.
Isso certamente nos traria a liberdade no sentido
evolutivo da vida. Que Jesus nos permita um dia conquistá-la.
Anastácia

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