Nas graças do
perdão
Quando chegamos no mundo espiritual nossas
resoluções se retificam, endireitam-se nossos anseios e nossa ótica assume novo
foco. Quando repousa no coração o desejo de prestar auxílio aos semelhantes, os
trabalhos desdobram-se à nossa frente e destituídos dos empecilhos impostos
pelo vaso físico, bem mais leves, damos asas a verdadeira proposta dos
aprendizados no amplo território da doação.
O Brasil revela uma longa história de exploração e
subjugação dos indivíduos fragilizados, demonstrando efeitos desastrosos e de
longa duração que continua palpitando. Por isso, um grande exército de
espíritos bem intencionados, que também carregam consigo cicatrizes profundas,
manchas escuras, alimentadas pelo ódio e pela revolta dessa acumulação
primitiva que por séculos dominou os rincões do nosso país, herança das atitudes
do velho mundo, foram designados para trabalharem no objetivo de libertar essas
almas dos cativeiros a que ainda estão presas.
Nas nossas memórias intensas, não obstante a
reeducação dos nossos espíritos nos aprendizados sublimes do perdão, ficaram os
registros dessa barbárie que fez incidir trevas densas nos corações humanos.
A escravidão, no que diz respeito as pessoas
exploradas, foi de uma violência irreparável, que perdura, motivando vinganças
e aversões ferrenhas e difíceis de resolver.
Através dos anais da história conhecemos a
crueldade, impiedade e sofismas da criatura humana, que por tantas eras alargou
a sua capacidade de torturar e explorar seu semelhante com requintes de sevícia
e horror.
Portanto, nos enternece sobremaneira os encontros
com esses grupos de almas ainda prisioneiras dos ódios gerados a época da escravidão.
Difícil para o homem civilizado aceitar a existência da exploração humana a
benefício do lucro de uma minoria, tal qual foi rendido junto aos cativeiros do
Brasil, onde o chicote zunia numa sucessão louca de castigos frequentes, sendo
o homem negro tratado como bicho, amontoados em barracões escuros e fétidos,
acorrentados para não fugirem e sem direito a reclamar de nada.
É até compreensível como o ódio e o desejo de
vingança nascidos nessa triste realidade, consiga estacionar um ser por
séculos, enrijecendo todas as suas capacidades de entendimento, sequestrando
qualquer sentimento de paz e perdão do seu coração.
Os vínculos dessa energia odiosa entre as vítimas e seus algozes são tão profundos que perpetuam-se vida após vida,
necessitando as vezes de muitas reencarnações para que seja historiado o
capítulo do perdão nas páginas das suas existências.
Nos registros mnemônicos, por onde podemos observar
nitidamente as agruras das senzalas, as criaturas eram tratadas com tamanha
selvageria que podemos entender muito bem como nasceram esses ódios ferrenhos,
a ponto de vermos o homem assumir o papel da besta, espumando raiva e eclodindo
as cóleras da escuridão em todos os seus gestos e pensamentos.
As noites quentes dos sertões nordestinos e o luar
sereno do centro-oeste brasileiro foram testemunhas dos martírios impossíveis
de serem traduzidos por palavras. Nos engenhos os escravos trabalhavam de sol a
sol nos canaviais, mais tarde, nas minas de ouro, assim como testemunhamos também
a escravidão nos seringais, banhando o solo pacífico das terras sul-americanas
com o sangue dos negros, crioulos e explorados pela cobiça, sem recursos e sem
a devida proteção das leis humanas.
Só Deus sabe quantas vidas marcadas pelos
ensinamentos da escravidão, que a ferro e fogo esculpiu no coração do homem
soberbo, na figura rebaixada do escravo, a disciplina da humildade.
Infelizmente foram essas as avenidas escolhidas pelo
homem para auferir as lições necessárias ao seu aprimoramento, preferindo quase
sempre as ruas da dor e do sofrimento em detrimento das alamedas guarnecidas
pelo amor.
Aaa... os embates que se deram depois que o sopro da
vida física extinguiu-se, trocando a ordem das personagens. A Casa Grande que
vivia na opulência, no fastio dos dias e no regalo dos desejos animalizados,
assumia para si as intempestivas dores, semelhantes as do madeiro de torturas.
Os sinhôzinhos e as sinhâzinhas já não davam mais ordens,
agora rastejavam em fuga, sedentos, em busca de apenas molhar os lábios diante
das chamas implacáveis da perseguição, ulcerados por uma vida de desmando e
selvajarias.
Os pobres escravos que aceitaram seu quinhão de dor e aprenderam diante da
dura prova do homem cativo, acordaram na pátria espiritual alforriados das suas
faltas de outrora, desejosos em modificar o panorama intangível das vidas
pregressas. No entanto, aqueles que preferiram juntar-se aos exércitos dos
rancorosos e vingadores ainda perambulam nas crateras escuras da expiação, onde
o ódio pulsa duradouro, dirigindo os pensamentos da vindicta cruel.
Enquanto isso persiste, nós, os trabalhadores do
Amor, temos que nos municiar de entendimento, tolerância e palavras doutrinantes,
direcionando nossas ações e forças a libertar os ainda escravos.
Cada criatura socorrida, liberta pelo perdão, é uma
vitória maravilhosa, comemorada no imo dos nossos espíritos.
As salas mediúnicas, oposto as senzalas recintos de
aflição e sofrimento, são como clareiras iluminadas acudindo e resgatando tantos
irmãos, ajudando a desfazer os nós do ódio e a rescindir os desejos de
vingança, fazendo nascer a esperança e nova fé nos corações.
Libertemos também a nossa mente da escravidão. Que
sejamos livres de toda e qualquer algema, sublimados sempre pelas graças do
perdão.
Anastácia
Mensagem psicografada na
reunião mediúnica da FEIS pelo médium Jorge Antônio, no dia 21 de janeiro
de 2013
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Muito obrigado por essa linda mensagem. Precisava ler isso!
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